domingo, 25 de fevereiro de 2007

Uma questão de tempo


Toda a nossa vida gira em função do tempo - de um dia de 24 horas, de 12 meses distribuídos ao longo de um ano, de anos e anos que compõem a nossa vida.
Na profissão de um professor, o tempo assume uma importância ainda maior. O ano de um professor começa quase no final do ano de um cidadão comum. É tempo de planificar, prever o tempo que se demorará a falar deste ou daquele assunto, de quanto tempo se dedica à avaliação dos conhecimentos, do tempo em que perdemos a explicar uma e outra vez a alunos que parecem não estar presentes na sala (pelo menos em espírito).
O tempo vai passando e damos conta que estamos mais atrasados nesta turma ou mais adiantados naquela. E assim alteramos ou reformulamos a planificação. No fundo, estamos sempre a fazê-lo...
O tempo vai passando e são os testes que surgem para corrigir. E quando pensávamos que poderíamos descansar um pouco, logo chega a segunda ronda de fichas para elaborar e/ou corrigir.
Toda a nossa vida é guiada em função do tempo - tempo para dedicar à família, tempo para dedicar aos amigos, tempo para dedicar à profissão, tempo para dedicarmos a nós próprios. E às vezes, parece que o tempo não chega para tudo e no entanto temos a sensação de andar sempre a correr para conseguir fazer tudo o que estava previsto.
Dizem que o dia tem 24 horas. Às vezes duvido, acreditam? Ainda ontem era Sábado e já amanhã é Segunda-feira. Quase não tive tempo de desfazer o saco que transporta as minhas coisas nestas viagens de fim de semana, que mais parecem visitas relâmpago... Estamos a fazer algo e logo o nosso pensamento planifica a próxima actividade ou até mesmo as seguintes.
Talvez o tempo seja o factor que mais influencia o stress, esta corrida que caracteriza o ser humano e que não o deixa parar e apreciar as coisas boas da vida - a família, os amigos, a Natureza em geral. Talvez a culpa seja nossa que deixamos que o tempo tome conta de nós. Talvez, mas o que a mim me parece é que o tempo parece voar. Já repararam que estamos a um mês deste período terminar? E para o final do ano? Nem vale a pena pensar...


Talvez o melhor conselho seja mesmo aproveitar o nosso tempo, da melhor maneira possível, não esquecendo de dar valor às coisas realmente importantes da nossa vida.


A propósito destas reflexões sobre o tempo deixo-vos este link, que há pouco tempo recebi por mail. Divirtam-se...


domingo, 18 de fevereiro de 2007

Direcção de Turma

Já não é novidade para aqueles que têm o hábito de por aqui passar do Cargo (com maiúscula para parecer importante) que este ano me saiu - sou Directora de Turma!

A turma é de 7º ano, de 27 alunos e um desconhecido. É um aluno que nunca apareceu e nunca ninguém passou pela escola para esclarecer a sua situação. A desvantagem desta turma é que, se estivessemos em avaliação, eu já não poderia esperar uma boa nota devido a este abandono (Bolas, lá se foram os 25 mil euros do prémio de desempenho!).
Não é uma turma complicada no que fiz respeito a comportamento. Já no que toca ao aproveitamento, enfim, acho que deve ser do vírus que por aí passa e os contagia a todos - estudar não é com eles. Em relação aos Encarregados de Educação não tenho nada a apontar. Ou melhor, noto um certo desinteresse pelos seus educandos. Não me procuram, não querem informações. Ou os filhos contam tudo em casa, ou então... quando o filho reprovar no final do ano talvez se perguntem porquê. Não será um pouco tarde?

Como Directora de Turma sei que tenho alguns deveres, mas corrijam-me se estou enganada, eu penso que não sou a responsável pela falta de estudo da minha Direcção de Turma. No meu ponto de vista, cada professor, na sua aula, tem o dever de chamar a atenção aos alunos e de avisar os respectivos encarregados de educação do trabalho realizado. Gosto de ser informada, claro, mas não me parece que seja eu a responsável. Revolta-me que em cada intervalo se dirijam a mim para fazer estas queixas e com comentários do género: "Os teus meninos não estudam, estás tramada!".

Em contrapartida, em determinadas situações têm a capacidade de "saltar por cima" do Director de Turma. A última é, a meu ver, um pouco caricata. Talvez nunca tenha comentado por aqui, mas um grupo de alunos da minha Direcção de Turma não gosta de aulas de substituição (como eu os compreendo) e simplesmente não comparecem nessas aulas. Os Encarregados de Educação estão informados de todas as faltas que estes alunos têm nas várias disciplinas em que o professor se ausentou e, aparentemente, não demonstram nenhuma preocupação. Ora, há algumas semanas atrás uma professora desta turma resolveu fazer queixa ao Conselho Executivo destas ausências. Como consequência o Presidente, que nessa mesma hora se dirigiu à turma, ameaçou-os com um dia de suspensão por cada 5 faltas (para terem uma ideia a professora substituta de Matemática, que também lecciona Estudo Acompanhado e Área de Projecto, demorou 3 semanas a ser colocada)! Ninguém me disse nada, ninguém me pediu satisfações, ninguém me chamou a atenção para o facto, nem colega, nem presidente. Sei o que aconteceu pela boca dos meus alunos que apenas comentaram (eles não são de fazer queixas). Por sorte (ou azar, pois gostava de saber onde isto iria dar) ainda mais nenhum professor faltou. O que eu sei é que neste momento a minha turma é considerada uma turma muito "jeitosa"! E outras situações, bem mais graves que se passam nesta escola continuam impunes...

Em mãos tenho uma preocupação relacionada com 2 alunos que têm faltado muitas vezes. Nem eu, nem os pais, estamos a conseguir resolver a situação. Eles não dizem o que se passa, mas parece-me que o caso é grave. Espero estar enganada!


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Estamos em interrupção lectiva e de certeza que bem merecida para todos nós, que até há bem pouco tempo andávamos atulhados em testes!
Gozem bem esta pausa, porque "A vida são 2 dias e o Carnaval 3"!
Não sei se será impressão minha, mas quer-me parecer a mim que este período está a passar muito depressa, já para não falar do ano lectivo...
Pessoalmente não gosto muito do Carnaval, mas a todos quantos anseiam por esta época espero que se divirtam! Aproveitem!


sábado, 10 de fevereiro de 2007

A autoridade e o respeito (ou falta dele) na escola

Autoridade

sem ela o homem não pode existir e,
contudo, é coisa que traz consigo tanto de erro como de verdade.

Johann Wolfgang von Goethe, in 'Máximas e Reflexões'

Fala-se em autoridade e no peso que ela tem ou deveria ter na escola.
Há alguns anos o professor era entendido como a autoridade máxima, que todos respeitavam e veneravam pela sua figura - a do educador/formador. A palavra do professor era lei e era com orgulho que o povo, na sua humildade, oferecia ao senhor professor frutos do seu trabalho.

Os anos passaram e não sei como (um Katrina, talvez) passou pela Educação e essa figura do professor já não existe, ou pelo menos a sua figura de autoridade. Os tempos são outros, é verdade. O professor não pode sequer levantar a voz ao aluno, que logo chega o seu encarregado de educação a querer tirar satisfações, porque o menino até pode ficar traumatizado.

É certo que nesses anos passados a autoridade por vezes caía no exagero e a violência era demasiada, num local que se queria de aprendizagem. Mas hoje também se pode falar no exagero que existe de falta de autoridade e de falta de respeito.
Os nossos alunos são caracterizados por uma falta de respeito, por um ar de arrogância que os faz ter a "resposta na ponta da língua" sempre que um professor o chama à atenção. E então surgem os casos de violência, que algumas "almas inocentes" querem fazer crer que são casos únicos, isolados.
O professor tenta por todos os meios que legalmente tem à sua disposição fazer valer a sua autoridade, dentro e fora da sala de aula, mas por vezes, autoridades superiores parecem querer diminuir essa autoridade do professor. Há turmas complicadas em termos de comportamento e atitudes. No fundo, quem é que ainda não se cruzou com alguns alunos ditos "complicados"? Por isso é importante punir quem não respeita, quer colegas, quer superiores. E em certas situações não o deixar ficar impune, correndo o perigo de abrir precedentes.

Esta situação aconteceu esta semana. Estes foram os factos que se contaram.
Uma aluna foi chamada à atenção por uma funcionária sobre o facto de se estar a fazer acompanhar por um rapaz não pertencente à escola, logo sem autorização para estar dentro da escola. A aluna parece que não gostou e começou a agredir a dita funcionária, quer verbal quer fisicamente. Uma outra funcionária (por sinal, com um pouco mais de idade) apercebeu-se e foi separá-las, acabando por também ela ser agredida da mesma forma. Ficou de rastos a senhora, até metia dó (é talvez a funcionária mais simpática e prestável de toda a escola). Ninguém na sala de professores se apercebeu, ninguém viu nada. A aluna em causa parece ser do 6º ano. Mas o problema é que parece que o Conselho Executivo, que entretanto soube da ocorrência, se vai limitar a fazer uma mera repreensão. Não me parece correcto, pois no meu ponto de vista o caso é sério e a medida a aplicar deveria ser severa. Pode ser que tenha sido um mero boato, pode ser que eles pensem melhor no caso, mas se tal não acontecer onde fica aqui a autoridade da escola, dos professores e dos funcionários, perante um caso evidente de falta de respeito e falta de educação? Não poderá ser este o rastilho que todos receiam? Não quero ser alarmista, mas pelas histórias que se vão ouvindo é caso para nos pormos a pensar...

Mas a violência também existe entre eles próprios. Há uns posts atrás falava no clima que se vivia na minha escola, fruto de desavenças entre os alunos da escola básica e os da escola secundária. Falava-se num rastilho de pólvora, prestes a incendiar. Algumas semanas se passaram e logo outra situação se sucedeu. Um dia, na parte da tarde, cerca de 20 alunos de uma escola de uma freguesia vizinha apresentaram-se, armados de bastões, vidros e sabe-se lá mais o quê, para um ajuste de contas. A situação foi controlada, mas a preocupação permanece pois não se sabe quando se voltará a repetir.

Como prevenção a escola resolveu contactar a GNR, pois sendo uma autoridade, sempre poderia garantir alguma segurança nas imediações da escola. A resposta foi clara: provavelmente estão a exagerar um pouco a situação, e isso não passa de brincadeiras de garotos. Pois, e assim a escola permanece sem qualquer segurança, quer para os alunos, quer para o pessoal docente e não docente!

domingo, 4 de fevereiro de 2007

A Escola e a Publicidade

Aluno: "Ó professora sabia que uma vaca tem 4 estômagos?"


Aluno: "E que as vacas conseguem subir escadas, mas não conseguem descer?"


Aluno: "E sabe como se diz vaca em latim?"


Professora: "Estás muito atento à televisão. E quanto à matéria? Qual a diferença entre massa e peso?"


Aluno: "..."



Andamos nós dia após dia a tentar "meter" alguns conceitos na cabeça dos garotos. Afinal basta uma simples publicidade e logo eles aprendem o texto todo! Até pensei em disfarçar-me...



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A época é de trabalho, não é difícil de adivinhar - TESTES! Assim, que os papéis "desaparecerem" de cima da secretária faço uma visita aos vossos cantinhos.
A todos uma boa semana!

sábado, 27 de janeiro de 2007

Pensamento da Semana

Às vezes andamos mais desanimados, mais tristes, mais cansados. Mas acabamos por desabafar e então parece que ficamos mais leves.

A vida de professor em Portugal não está fácil, eu sei, vocês sabem. Mas a verdade é que não adianta desanimar. Nessas alturas pensemos numa coisa: O que nos move? Por que razão somos professores?

A resposta a estas (e outras perguntas) de certeza que nos ajudam a encarar o dia de outra forma, com um outro olhar... E sabem, no fundo (mas muito lá no fundo) em cada dia conseguimos encontrar uma criança, um aluno, que nos ajuda a perceber estas razões e que justifica a nossa profissão - através de um olhar, de um comentário, de uma aprendizagem que foi conseguida, através do nosso trabalho. E na certa este motivo chega para não desanimar e para acreditar que o outro dia será diferente. Sabem sou professora e a verdade é que não sei ser outra coisa (e no fundo também não sei se quero ser outra coisa).



Transmite entusiasmo aos teus alunos,
motivando-os para aprender,
para viver - levando-os a empenhar-se
no estudo e na vida.
Os teus alunos - e tu - ficarão muito mais ricos.
in A Arte de Ensinar

sábado, 20 de janeiro de 2007

No fim do arco-íris...

Às vezes penso que esta profissão é muito ingrata. Damos o que temos e o que não temos e nada recebemos em troca. Não estou a falar de aumento do ordenado, nem de uma colocação melhor, mas às vezes uma palavra de apoio ou o recebimento de uma manifestação de apreço por aquilo que fazemos. Na verdade estamos a formar os homens e mulheres de amanhã e não há ninguém que o reconheça!


Este post é resultado de uma reflexão pessoal sobre os posts que a Professorinha (colega bloguista) tem publicado no seu cantinho. A desilusão é notória a quem por lá passe, mas não é única (infelizmente) porque no fundo todos acabamos por a sentir. Esforçamo-nos por desenvolver aulas motivadoras para o estudo, por utilizar as últimas "novidades" do campo da pedagogia, associadas às últimas tecnologias. Tentamos tornar as nossas aulas modernas e na prática os nossos alunos não ligam a mínima para esse esforço.


No início de carreira, lembro-me de ouvir dizer que aquelas ideias todas e a vontade de trabalhar iam desaparecendo com o tempo, que no fundo, isso era fruto da idade, e da novidade de ter acabado o curso. Na altura pensava que não, que essas atitudes estavam com a pessoa e que dependia dela não as perder. Hoje sei bem que não é assim. Eu ainda tenho essas atitudes, essa vontade de inovar, e trabalho com colegas que também as têm, mas de facto os nossos alunos não se interessam por uma aula diferente, por uma metodologia de trabalho que fuja da rotina. Hoje os nossos alunos não querem trabalhar, não querem fazer o mínimo esforço e é natural que fiquemos desanimados, desiludidos.


No outro dia, em conversa na escola, falava-se da utilização de projectores na sala de aula e aulas em power point, tecnologia que parece estar em franco desenvolvimento, havendo algumas escolas que já estão a apostar neste campo. Alguns colegas confessavam que não viam interesse nisso, não por eles não se interessarem, mas pelo facto dos alunos não o apreciarem. E infelizmente é verdade. Devido ao carácter prático da minha disciplina, tento fazer várias actividades experimentais, que tentam, ou motivar para o estudo, ou comprovar a teoria. Mas de ano para ano noto que nem isso os motiva. Fazem a actividade mas não sabem concretamente o que estão a fazer (apesar de eu ler com eles o protocolo e explicar-lhes ao pormenor em que consiste). Simplesmente a escola não lhes diz nada. A juntar a isto tudo está a má educação que parece ser crescente nos nossos alunos, a resposta sempre pronta na ponta da língua, a falta de respeito pelo trabalho desnvolvido. Enfim... Parece que em vez de melhorar, está a piorar.

Ainda não perdi a esperança, e apesar de por vezes me sentir desanimada no fim de uma aula, ainda mantenho a esperança que com a próxima turma seja diferente. Ou então, no próximo ano... Ser positiva acima de tudo (mas até quando?).


A lenda conta que no fim do arco-íris encontramos um pote de moedas de ouro. Não, não é isso que eu procuro. O que eu desejo mesmo é encontrar uma escola onde um professor seja valorizado pelo seu trabalho, onde os alunos se interessem por aprender e até mesmo por ensinar, onde haja respeito por todos. Dizem que é difícil encontrar o fim do arco-íris, quem sabe não tenho sorte?! Alguém me quer acompanhar?


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Finalmente foi publicado e parece que entra hoje em vigor!


Lutamos, gritamos, manifestamos, mas parece que ninguém nos ouviu. O ensino não anda bem em Portugal, e a culpa pelos vistos é dos professores. Até pode ser, porque na vida há sempre um justo que paga pelo pecador ( e bem sabemos que existem colegas menos correctos). Mas antes de nos levantarem o dedo e nos acusarem, ponham-se na nossa pele, visitem as nossas escolas e passem um dia ao nosso lado, com as turmas com que diariamente temos de lidar. E depois sim, depois acusem-nos de sermos malandros, de não termos competência para ensinar. Mas não nos acusem sem saberem o que é estar diante de 30 garotos que a única coisa em que pensam é divertir-se, falar ao telemóvel, brincar com os colegas e que nos dizem que não estão para nos aturar, porque aquilo que temos para lhes dizer não lhes interessa nada. Sabem uma coisa, cada vez é mais difícil ser Professor neste país...

sábado, 13 de janeiro de 2007

Uma semana nada fácil...

Mais uma semana de aulas que chegou ao fim, finalmente...

Esta não foi uma semana fácil. A minha escola parece um barril de pólvora, prestes a explodir. O clima é estranho e agrava-se ao final do dia. Tudo por causa de conflitos de miúdos (e graúdos), entre a escola básica e a secundária, que se traduziram em ajustes de contas. Na segunda feira, a escola foi invadida literalmente por alunos da secundária. Ninguém percebeu como foi possivel entrarem na escola, mas a verdade é que há uma falha em termos de segurança na hora de saída. Conclusão, nos dias seguintes a GNR esteve a "patrulhar" a zona.

Sente-se um clima de instabilidade. Os miúdos das duas escolas apanham o mesmo transporte por isso podem imaginar... E depois basta andarem 2 à luta para logo se juntarem mais meia dúzia. Ontem (6ª feira) foi o susto - 20 garotos da escola secundária voltam a "atacar" e novamente a GNR foi chamada a intervir. A insegurança é de tal ordem que os professores que saem às 18h30 (hora a que terminam as aulas) esperam sempre 15 a 20 minutos antes de irem embora.

Pelo que dizem os colegas mais antigos, nos anos anteriores não era assim. A situação está a ficar complicada e ninguém sabe onde isto irá parar. Já há quem compare esta escola com as do Porto. Pessoalmente, espero que não atinja esse limite, mas confesso que nos meus anos de serviço este é o primeiro em que utilizo mais vezes a caderneta dos alunos para enviar mensagens aos Encarregados de Educação. Só ontem numa aula foram 4 (!!). Ou são os miúdos que são diferentes (e para pior) ou sou eu que já estou a perder a paciência (ou serão as duas razões).

Mas a semana não termina por aqui. A minha sexta feira termina com a área curricular "Área de Projecto". Não sei se já o disse, mas esta é uma área que eu não gosto muito de trabalhar. Por azar (talvez) a turma à minha responsabilidade é aquela que eu considero a mais problemática, das minhas 5. Só ontem foram cerca de 90 minutos para formar novos grupos de trabalho pois não estavam a conseguir entenderem-se (quase que se matavam). Depois é a própria ideia de área de projecto, pois eles pensam que podem fazer o trabalho que querem, mesmo que o tema de um grupo não tenha nada a ver com o outro. Desculpem-me que eu posso estar enganada, mas no meu ponto de vista esse não é o verdadeiro objecto desta área curricular. A ideia é definir um tema de um projecto, que será igual na turma, e depois cada grupo irá desenvolver um sub-tema relacionado com o tema definido. E perceberem isto...?

Sabem, depois de uma semana destas sabe bem o descanso no ninho! Por isso, aproveitem este fim-de-semana da melhor maneira possível.

Quanto a mim, vou descansar as ideias em frente ao mar...

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

De volta à normalidade (ou quase)!

Depois dos enfeites, das festas, dos presentes e dos doces (muitos doces!) é tempo de voltar à normalidade, à rotina do quotidiano, das viagens, das aulas... Enfim, Regresso às Aulas - Parte II!

A primeira semana foi curta (oh, como era bom se fosse sempre assim...) mas também não se podia pedir muito, depois dos dias de festas que estivemos a viver. Até os miúdos estavam "adormecidos" - que pena não estarem sempre assim!

Assim, esta será a primeira semana de trabalho, em pleno, de 2007.

E logo a abrir a reunião para entrega das avaliações. Foi rápida (não sei se fui rápida demais), mas a verdade é que eu não tinha muito a dizer (e os pais também não quiseram perguntar nada). Por isso, limitei-me a informar os pais presentes (apareceram 17 em 27 alunos) do aproveitamento e comportamento da turma, chamando a atenção para a "fiscalização" das cadernetas (sim, porque eles são uns peritos na arte de "esconder" a caderneta).

Será que me escapou alguma coisa? Não me deram nenhumas indicações e não sendo uma turma com problemas (graças a Deus, que eu sou novata) não tinha muito mais a dizer.

No final só ficaram os pais dos alunos com Planos de Recuperação (para os assinarem e perceberem para que servem) e terminei a reunião. Será que realmente não me escapou nada?

E lá estamos de regresso ao trabalho, com aulitas para preparar (sim, férias são férias e estas foram-no na verdadeira acepção da palavra (pelo menos no que diz respeito a férias de escola)).


Bom regresso ao trabalho!!!!


P.S. Só por curiosidade. Na rádio estão a dizer que hoje é dia de "Limpar a Secretária". Há dias para tudo, enfim...

Receita para um Ano Feliz

Tome 12 meses completos.

Limpe-os cuidadosamente de toda a amargura, ódio e inveja.

Corte cada mês em 28, 30, ou 31 pedaços diferentes, mas não cozinhe todos ao mesmo tempo.

Prepare um dia de cada vez com os seguintes ingredientes:

- Uma parte de fé
- Uma parte de paciência
- Uma parte de coragem
- Uma parte de trabalho

Junte a cada dia uma parte de esperança, de felicidade e amabilidade.

Misture bem, com uma parte de oração, uma parte de meditação e uma parte de entrega.

Tempere com uma dose de bom espírito, uma pitada de alegria e um pouco de acção, e uma boa medida de humor.

Coloque tudo num recipiente de amor.

Cozinhe bem, ao fogo de uma alegria radiante.

Guarneça com um sorriso e sirva sem reserva.


Recebido por mail

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Em jeito de balanço

O ano está a chegar ao fim e com ele chega também o tempo de se fazer um balanço ao ano que termina.



Em primeiro lugar, a reflexão que se me apresenta prende-se com a rapidez com o que o tempo passa. Ainda ontem estavamos no final de 2005 e já estamos às portas de 2007. Pode ser uma simples impressão minha, talvez, mas a verdade é que, sem darmos conta, o tempo passa por nós a voar e se não vivermos a vida em pleno, quando dermos por ela já passou. Ora aqui está um bom propósito para o próximo ano - Vivam a vida em pleno!



Não me posso queixar do ano que passou. Felizmente foi bondoso para mim, pelo menos em termos profissionais. Consegui dar um salto gigantesto, pois estando num Quadro de Zona Pedagógica alentejano consegui a mudança para um Quadro nortenho. Atendendo a que "esta coisa" dos concursos de professores é para durar 3 anos, foi um bom presente.



Também trouxe alguns senãos, como a tese de mestrado que não há meio de "nascer". Talvez o problema seja meu, por não conseguir conciliar o trabalho do mestrado com a escola. Mas não é fácil estar numa escola básica, com burocracia até mais não, aliado ao facto de pela primeira vez ter assumido o cargo de Directora de Turma. Outro propósito para o próximo ano - terminar a tese de mestrado (e tem de ser antes do Verão, para poder beneficiar da regalia que a nossa ministra nos quer retirar).



A vida é mesmo assim, apresenta-nos altos e baixos. A parte menos boa deste ano foi o facto de não ter tido a sorte de me sair o Euromilhões. Mas olhem que eu até joguei algumas vezes... Pelos vistos há pessoas que não têm sorte nestas coisas do jogo (e eu devo ser uma delas)!



Uma das coisas boas deste ano foi a descoberta deste mundo, a blogoesfera, e com ela o alargar das relações, do conhecimento. Aquilo que começou com uma simples brincadeira é hoje este cantinho onde deposito aquilo que me vai no pensamento e no coração. Já se tornou um hábito, talvez mesmo um vício, de todas as semanas deixar neste espaço um post e fazer "a ronda" pelos espaços vizinhos. Dos que visito, não conheço nenhum "dono" pessoalmente, mas faço o possível por deixar alguma palavra amiga nas minhas visitas (que por vezes não são mais frequentes por falta de tempo) e é com enorme satisfação que recebo as vossas e os vossos comentários. De certa forma parece que estamos todos muito próximos e sem dúvida é uma bela forma de amizade que se pode travar entre bloguistas. E porque não um propósito para o novo ano - Continuar a trabalhar neste cantinho, fazê-lo crescer, enriquecê-lo e alargar os seus outros olhares...



Por tradição, na noite da passagem de ano, tenho comigo as 12 uvas passas e com elas os respectivos desejos. Alguns já estão aqui manifestados, outros relacionam-se com aquilo que todos nós, no íntimo, desejamos, saúde, dinheiro, paz, alegria, amor ou então com questões profissionais ou de foro pessoal. Sim, neste último caso existe sempre um desejo especial numa das uvas...



Ao terminar este balanço aproveito para desejar sinceramente a todos quantos por aqui passam que os seus desejos se concretizem e que o novo ano que se aproxima seja a plena concretização de sonhos e de tudo aquilo que mais desejarem porque todos merecem o melhor.
Feliz 2007

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Feliz Natal

Por entre fitas e papel de embrulho, sorrisos e gargalhadas, que o Menino Jesus te traga tudo aquilo que desejares e ainda muita Paz, Alegria, Amor e Saúde, para ti e para todos os que te são mais queridos.

Estes são os votos sinceros de Feliz Natal a todos quantos por aqui passam, por curiosidade ou pelo hábito de deixar aqui a sua marca.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Reuniões de Avaliação

Finalmente passou o stress das avaliações.
Avaliar não é um processo que se faça de ânimo leve. São muitas as ponderações a ser feitas, muitos critérios a ter em conta, todo o trabalho de um período, que por ser o primeiro não deixa de ser o mais cansativo e trabalhoso.
São ainda as auto-avaliações: choros por um lado - "Ó professora, consigo já é a 5ª negativa!"; consciências tardias - "Ó professora mas eu trabalhei", sim, só é pena que se lembrem disso na última semana. Sinceramente (e já não é a primeira vez que o digo) DETESTO a época das avaliações.
A juntar a tudo isto temos ainda a burocracia que absorve todo o ensino básico - planos de recuperação, planos de acompanhamento, planos de desenvolvimento, aulas de apoio, relatórios disto e daquilo, a pressão de entregarmos os níveis com 48 horas de antecedência, as justificações de níveis que temos de apresentar... Ufa, só de enumerar já estou sem fôlego (e provavelmente esqueci-me de algo)!
Este ano estive do outro lado - Directora de Turma, e confesso que as duas últimas semanas foram arrasadoras. As faltas tinham de estar em dia no computador. Quando pensava que já as tinha "prontas" lá aparece mais uma justificação atrasada, o que implica mais de meia hora em espera para conseguir um lugar num dos 3 computadores da sala de professores. E acreditem que não é fácil, em especial quando se está numa escola de cerca de 40 turmas!
Depois a grande novidade na minha escola relacionou-se com a informatização dos registos de avaliação. O problema foi que esses registos tinham de ser criados 28 vezes (o número de alunos da turma), identificado o aluno, registado o número de aulas dadas e assistidas em cada área curricular e ainda avaliar o aluno em cada uma das áreas não disciplinares. Ou seja, tive de criar esses documentos atempadamente para a colega que lecciona as áreas na minha turma proceder à sua avaliação. Depois foi preparar a minha reunião, um pouco às apalpadelas pois não tinha um guião de orientação. Para facilitar o trabalho adiantei ainda a acta à minha secretária (não, não tenho queixa dela, mas o facto de a levar em rascunho facilita o meu trabalho e o dela).
Chegamos pois à semana das reuniões e apesar de já ter passado por muitas, e em diferentes escolas, todos os anos é a mesma coisa - se o Director de Turma não leva o trabalho adiantado (e não é pouco) ninguém presta atenção ao que se passa e fala-se de tudo menos dos assuntos que interessam ao Conselho de Turma.
Eu sei que as reuniões podem ser enfadonhas - "cantar" níveis para registar nos registos biográficos, nos registos de avaliação, na folha "mais e menos" que a minha escola inventou e compará-los com a pauta não é muito agradável, pois não? Por mais que se distribua o trabalho de registo há sempre pessoal que fica de fora e se põe a coscuvilhar de todos, até mesmo dos miúdos. A reunião está sempre a ser interrompida e ás vezes dizem-se coisas menos agradáveis aos colegas, mas reparem, como podemos queixarmo-nos dos nossos alunos quando são os próprios professores que têm este procedimento?
Não posso dizer que a minha reunião correu mal. Eu até acho que me saí bem. Tive ajuda de dois colegas, a A. e o P.. Em especial este último, que imperativamente mandou calar duas colegas que não paravam de conversar. É certo que já levava muito do trabalho adiantado, mas estava nervosa pois era a minha primeira reunião de avaliação como DT. A minha secretária também foi impecável, pois apesar de ter a acta já adiantada, foi ela que a concluiu e no mesmo dia da reunião a entregou. Mas claro que existem muitas coisas que nos dão a volta à cabeça, pela falta de responsabilidade que ainda impera em muitas escolas, devido a alguns colegas. Por exemplo, como explicam que na minha direcção de turma (e em outras na minha escola) haja alunos que transitaram com um plano de acompanhamento e este nem sequer está assinado pelo respectivo Director de Turma?! Ou então, casos de alunos muito fracos que transitam sem um qualquer plano de acompanhamento, mas que o DT do ano anterior nos garante existir, mas ninguém o consegue encontrar?! Faz lembrar um pouco os fenómenos do Entrocamento...
Sabem o que vos digo, depois deste stress todo e de um período bem longo, esta pausa é bem merecida, para todos.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Parabéns!!!!

Sim, estamos todos de parabéns porque fomos eleitos a personalidade do Ano!
É uma honra estar ao lado de outras personalidades que a Time ao longo dos anos escolheu.
No meu ponto de vista foi uma escolha acertada, não por mim, por me ser dirigida, mas pelo trabalho que todos nós desenvolvemos - os que relatamos as nossas experiências, os que por aqui passam e deixam a sua marca. Por todos aqueles que permitem que a Internet seja um mundo em crescimento.
Contudo, é importante alertar para os aspectos negativos que este meio de informação acarreta e que pode (e tem) prejudicar muita gente. O facto de ser um meio sem qualquer controlo pode constituir uma "arma" na sociedade em que vivemos.




Para ti que por aqui passas e contribuis para que este blog cresça- PARABÉNS!

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Final de período - Finalmente!!!!

Estamos em final de período. Finalmente!
Sim, o tempo passa a voar. Ainda ontem estava a entrar pelo portão da escola nova, com o receio típico de quem não conhece o ambiente e já estamos no final de um período.
Não foi fácil. A ambientação, o conhecimento da escola, o contacto com os alunos, o descobrir das regras de funcionamento de uma nova escola que, como toda a gente sabe, se alteram de ano para ano (e de escola para escola).
Esta última semana não é das que mais me agrada. Confesso que as avaliações me preocupam, pois sinto um peso enorme em cima dos ombros: estarei a ser justa ou estarei a prejudicar alguém? Depois são aqueles alunos que ao longo do período quase não trabalharam e na última semana, como que por milagre, pensam que o 3 é a nota que merecem. Ora pode-se imaginar o rio de lágrimas que corre quando a resposta é negativa...
Já não bastava esta preocupação com as avaliações, ainda tenho o stress de ser Directora de Turma. Estou super nervosa e espero sinceramente que tudo corra bem. São tantos os papeís, tanta a burocracia, será que não me vou esquecer de nada?




No início, este post era para ficar por aqui.

Mas hoje, ao chegar a casa, encontrei em cima da secretária um dos fascículos da colecção "Aventuras 3D", que o Jornal de Notícias tem publicado diariamente. O tema dos primeiros fascículos relaciona-se com os dinossauros e até aqui não há nada de extraordinário. No entanto, quando comecei a ler o fascículo deparei-me com uma curiosidade que me surpreendeu e de forma negativa.

Os professores andam a ser tratados da forma que todos nós sabemos, pelos nossos superiores, pelo que não havia necessidade deste tipo de comentários...

Assim anda a Educação em Portugal!

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Em véspera de um fim de semana prolongado... II

Pois é!
Ainda mal nos tinhamos refeito de um fim de semana XL e já estamos com outro à porta.
E digam lá se não sabem bem estas semanas mais curtas?!
Novamente o meu conselho - aproveitem-no da melhor maneira possível!
Eu confesso que no meu caso não será semelhante ao anterior. Infelizmente os testes esperam por mim em cima da secretária...

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Em véspera de um fim de semana prolongado...

As semanas passam a correr, agora que estamos em final de período (e quando as semanas são mais curtas, ainda melhor!).

Depois de uma semana atribulada, como foi a da semana passada, esta correu muito melhor.

A aluna "acidentada" voltou sã e salva. Graças a Deus está bem!

A aula de Formação Cívica serviu para puxar as orelhas aos meninos da minha Direcção de Turma, que souberam acatar os recados recebidos. Aqui tenho mesmo de lhes dar um louvor. De todas as minhas turmas, apenas esta e uma outra, sabem ouvir de boca fechada as chamadas de atenção que lhes são feitas. As outras, enfim, têm sempre uma resposta a dar, alguma coisa a resmungar... Não conseguem ficar calados, são sempre eles que ficam com a última palavra. E o pior é que este é um mal que se está a alastrar a nível nacional!

Mas a semana não ficou por aqui.

A pedido do Conselho Executivo fui vigiar um exame a uma aluna que faz parte do projecto Escola Móvel. A aluna em causa é filha de trabalhadores itenerantes, do circo. Nos dias em que o circo esteve na localidade, a minha escola serviu-lhe de escola de acolhimento. Com o seu computador passou os dias na biblioteca da escola onde, virtualmente, foi tendo aulas, estudando, fazendo fichas de trabalho e interagindo com outros colegas através de um chat próprio. É uma maneira diferente de ter aulas. Muito diferente mesmo. A profissão dos pais (e a dela também uma vez que é uma adolescente que tem o seu número no circo com cobras...) obriga-os a andar por todo o país, sem um poiso definitivo. E todos nós sabemos o que é andar de escola em escola, sem conhecer ninguém, chegar a meio do período e um mês depois partir. Este projecto permite-lhes atingir um nível de escolaridade que com o ensino tradicional dificilmente conseguiriam.

Já tinha ouvido falar neste projecto, mas sabia muito pouco, por isso fui pesquisar um bocadinho. Aqui fica "Escola móvel na imprensa", para quem quiser saber um pouco mais.

E claro, sendo uma semana mais curta do que o habitual não há muito mais a relatar.

Um conselho? Sim, claro. Aproveitem estes dias da melhor maneira, porque as semanas que aí se avizinham vão ser complicadas...



domingo, 26 de novembro de 2006

A minha Direcção de Turma

Como já é do conhecimento de todos, este ano saiu-me na rifa uma Direcção de Turma. São 27 garotos e 1 desconhecido (que ainda não apareceu e só serve para dar trabalho na marcação de faltas).

Talvez seja por ser a minha direcção de turma, onde sinto que se cria um laço especial entre professora e alunos, mas a verdade é que, das minhas 4 turmas de 7º ano, esta é sem dúvida a melhor. Podem não ser uns alunos excelentes, mas são educados, simpáticos. Todos os professores gostam deles.

Confesso que estou satisfeita. Pudera, ser directora de turma pela primeira vez e "apanhar" com uma direcção difícil, como acontece com alguns colegas, não iria ser nada fácil. Estou a pensar por exemplo, numa das minhas turmas de 7º ano onde podemos encontrar de tudo: indisciplina, má educação e a variedade de casos previstos no decreto lei 319/91. Isto tudo numa turma de 21 alunos!!! (Coitada da A.:( ).

Mas não pensem que a minha direcção de turma é só maravilhas. Esta semana, pelo menos não foi. Bem pelo contrário, parecia que todos os dias havia um acontecimento...

2ª feira - O D. já tem 15 anos e a escola não é nada com ele. De manhã raramente aparece e de tarde, bom, as duas últimas semanas também ninguém o viu. Conclusão, estava prestes a atingir o limite de faltas. Coincidência ou não, o pai apareceu na 2ª feira para saber o ponto da situação. Por ele o filho não viria mais à escola mas estava preocupado com uma questão de tribunal (que não percebi muito bem) e também com as implicações no seu futuro. A verdade é que o aluno necessita de um certificado de frequência de 9 anos de escola para poder entrar no mundo do trabalho e até para obter a carta de condução. Ora o D. apenas tem 8 anos de escola (durante um ano não compareceu), pelo que o pai o vai "obrigar" a frequentar o 7º até ao final. Implicações? Muitas! Estão a ver o que é ter numa turma um aluno contrariado, que não tem qualquer aspiração de ficar aprovado no final do ano (o próprio pai confirmou que não lhe interessa que ele passe de ano)? Ainda por cima é menino para distrair alguns colegas da turma, prejudicando o seu desempenho... Vai ser dificil!

5ª feira - O meu dia de aulas já tinha terminado, mas uma aluna aflita veio chamar-me à sala de professores. A S. tinha desmaiado nos balneários. Lá fui ver o que se passava. Então a história foi assim. Os rapazes têm a mania de espreitar as garotas nos balneários. Uma delas apercebeu-se e foi fechar o postigo. Acontece que ele caiu sobre a cara dela, provocando um ligeiro corte no nariz e o seu desmaio. Estão a imaginar a preocupação? Pois, ela ainda estava tonta. Hospital, sim ou não? Chamar os pais? Em casa ninguém atende. O que fazer? Aos poucos foi melhorando, ganhando cor, já se ria. Por decisão do Conselho Executivo optou-se por não se chamar a ambulância. Enviei mensagem para a Encarregada de Educação. Que estivesse atenta, ao mínimo sinal que fosse ao hospital. Sim, ser Director de Turma é ser pai, mãe, médico, conselheiro, amigo...

No mesmo dia outra queixa. Uma das alunas tinha feito anos no dia anterior. Para festejar cobriram-na de Ketchup. Resumindo: assustou toda a gente, pensando que seria sangue. Nos dias de hoje é cada brincadeira...

6ª feira - Alerta laranja - um verdadeiro temporal. A minha escola, tal como muitas, não tem condições para os alunos em dias de chuva. A juntar a este problema, que só por si os deixa mais excitados, da parte da tarde falha de luz, em pleno intervalo. Ora o engraçadinho do D. (o aluno referido anteriormente) resolveu fechar a porta de duas salas de aula. Agora imaginem a funcionária do pavilhão, aflita com os alunos que se estavam a abrigar da chuva, sem luz, à procura das chaves da sala numa arrecadação às escuras...

Quer-me parecer que a aula de Formação Cívica na 3ª feira vai ser longa, muito longa mesmo...

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Crónica de uma despromoção anunciada

Há dias atrás recebi este postal da Lisboa Editora.
Não é o manual adoptado na minha escola, mas enviaram o postal com a sugestão de explorar este planeta, abordando a "biografia" do planeta que deixou de o ser e agora é planeta Anão.
A Ciência está de facto em mudança e desenvolvimento todos os dias! Aquilo que ensinamos num dia pode ser contrariado no dia seguinte. Por isso a Ciência é fascinante!
No ano anterior falavamos do Sistema Solar com 9 planetas. Este ano apenas de 8. É um pouco triste, nostálgico, não acham?
E para Plutão? Alguém pensou nele? Desde 1930 que pertencia ao 1º escalão - era planeta. Agora não passa de um planeta Anão. (Estou a escrever estas linhas e, não sei porquê, veio-me à ideia o professor titular... Será que corremos o risco de sermos despromovidos?).
Então, olho para a imagem e vejo alguém a apagá-lo e penso na resposta que os meus alunos me dão: " Plutão não é planeta, deixou de existir!".
Será que alguém o apagou mesmo?
Será que algum dia voltará a ser promovido?

sábado, 18 de novembro de 2006

Há dias assim...

Há dias assim!
Dias em que nos sentimos mais em baixo, tristes, sozinhos, mesmo estando rodeados de pessoas.


Talvez seja cansaço da escola, das viagens aos fins de semana...

Talvez seja do tempo que tão repentinamente se transformou: de um Verão em pleno para um Inverno rigoroso em que o que mais apetece é enroscarmo-nos numa manta com uma caneca de chocolate quente nas mãos, a ouvir a chuva (verdadeiro temporal) a bater na vidraça.


Há dias assim!
Dias em que parece que estamos sem imaginação para postar, mas ao mesmo tempo sentimos necessidade de deixar algo aqui, evitando assim que este cantinho fique mais pobre.


Há dias assim! Mas dias melhores virão...





Solidão não é estar sozinho.

É estar entre milhares de pessoas e sentir falta só de uma!

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

As minhas manias II

Regulamento

"Cada bloguista participante tem de enunciar 5 manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher 5 outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue."

Pois é, novamente apanhada nas malhas das manias, e desta vez foram duas as desafiantes, Anokas e 13. Na última vez (As minhas manias I), tentei encontrar 5 manias (e ainda tive de pensar um pouco…).
Para responder a estes dois desafios teria de encontrar mais 10 (??!), mas que me desculpem as minhas desafiantes, mas acho que não sou assim tão manienta (penso eu de que…). Assim sendo, a resposta de hoje é para as duas.
Aqui ficam as minhas (outras) 5 manias:
1. Não saio de casa sem comprovar um milhão de vezes se tenho as chaves (de casa e/ou carro dentro do saco). Um dia, quando era estudante universitária cheguei a casa e não tinha chave, se não fosse a senhoria…

2. Essa mania estende-se ao carro – comprovo uma série de vezes se fechei o carro (chego ao ponto de voltar para trás e confirmar, acham normal?).

3. Se estou na cozinha, a preparar algo, tenho de ligar a televisão ou o rádio. Simplesmente não consigo estar em silêncio…

4. Não consigo sair de casa sem tomar o pequeno-almoço, sentada à mesa e não como quem vai a correr para apanhar o comboio.

5. Guardo todos os recibos (multibanco e compras) na carteira. Enfim, às vezes é tanto papel que ela fica “gorda”. Nessa altura é sinal de limpezas…
E para que esta corrente não se quebre lanço o desafio a mais cinco bloguistas, esperando que ainda não tenham sido desafiadas:

Isamar