domingo, 29 de abril de 2007

Visita de Estudo ou Passeio?!

Bom, depende! Depende da pessoa quem é dirigida a pergunta. Se é professor ou se é aluno (e neste grupo ouso incluir alguns Encarregados de Educação).

No espaço de duas semanas participei em duas visitas de estudo - 7º e 8º ano (e ainda bem que não lecciono 9º ano).

Contra as visitas de estudo? Não, não sou contra totalmente. Uma visita de estudo, se bem organizada, com objectivos bem definidos e devidamente enquadrada no ano de escolaridade dos alunos a quem se destina, pode até ser muito útil, pois além de proporcionar experiências educativas fora da sala de aula, são também um óptimo meio de consolidar alguns dos conteúdos leccionados e até despertar-lhes a curiosidade (se bem que às vezes penso que só a fazer o pino conseguimos despertar os alunos para alguma coisa).

Estas até são palavras bonitas, que ficam bem em qualquer relatório de uma visita de estudo, mas nem sempre expressam os resultados ou as emoções vividas pelos nossos alunos (ou pelo menos por parte deles). Infelizmente, os nosso alunos consideram as visitas de estudo um passeio, um dia sem aulas ou fora da escola. No final do dia confessam "Que seca!".

Para alguns professores as visitas também têm o mesmo significado, é um autêntico sacrifício e se puderem evitam mesmo participar nelas. Contudo, chegam ao cúmulo de se demitir das suas responsabilidades e uma vez na visita pouco ou nada se interessam pelos alunos que têm à sua responsabilidade (mas isso é outra história).

Apesar de tudo, ainda continuo a ver algumas vantagens nas visitas de estudo. A proximidade que se cria na relação com os alunos, talvez por se estar num ambiente fora de sala de aula, é maior, é uma relação mais próxima, mais íntima. E o mais surpreendente é descobrir que "fora de casa" os alunos que mais dor de cabeça nos dão, são aqueles que melhor se comportam!

A verdade é que para mim visitas de estudo significam grande preocupação. Preocupação em que tudo corra bem, em que nenhum garoto se perca, mas no final ainda se consegue aprender alguma coisa.

Bom, pelo menos os professores ainda aprendem alguma coisa, não sei se posso dizer o mesmo de alguns dos meus alunos...

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Encarregados de Educação, Alunos e Avaliações

Ou Direcção de Turma, em geral!

No início da semana realizei a minha reunião com os Encarregados de Educação para entrega das avaliações.
Não sei se sou muito a favor de se entregarem as notas só no período seguinte. Surpreende-me que seja somente nesta reunião que os pais tenham conhecimento da avaliação dos seus educandos. Será que custa muito uma deslocação à escola para saber os resultados?
O que também me deixa surpreendida é o próprio interesse dos alunos, quando no primeiro dia de aulas, após a interrupção, nos questionam sobre a avaliação que realmente obtiveram. Bolas, eles realmente não se interessam por aquilo que fazem (ou deviam fazer)!
O panorama não é muito animador. Se fosse final de ano, 10 alunos ficariam novamente no 7º ano, por isso pensei que a reunião iria ser um pouco complicada, com pais a reclamar por notas ou a pressionar para o filho passar de ano. Eu sei lá, acho que imaginei um cenário negro. Exagero meu (como às vezes acontece)! Afinal, que poderia eu esperar de uns pais que ao longo do ano apenas comparecem na escola para recolher as avaliações, ou se foram convocados (e deste grupo, alguns nem sempre respondem à convocatória).
Apareceram, imaginem, 10 pais! Sim, 10 (dez) pais, de uma turma de 27 alunos! E está bom de ver, os que apareceram nem sequer eram os pais dos alunos de risco. Bem pelo contrário, apareceram exactamente os pais dos alunos que pouca ou nenhuma preocupação dão ao Conselho de Turma, mas que dão importância ao estudo dos seus educandos, que exigem deles estudo, trabalho, que estão atentos, que esperam um futuro para os seus filhos.

O 3º período já se iniciou há mais de uma semana e os alunos continuam na mesma, sem qualquer interesse por melhorarem. Talvez por que não acreditem em milagres, talvez por que estão completamente desinteressados, talvez por que ainda não acordaram para a realidade.

Será que irão abrir os olhos a tempo?

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Se eu fosse...

Os desafios andam por aí, e às vezes somos apanhados por eles. Foi o meu caso, que me vi apanhada pela rede que lançou a Maarisa.



Se eu fosse uma hora do dia, seria qualquer uma da parte manhã (para mim o dia começa cedo).

Se eu fosse um astro, seria uma estrela (astros que nos orientam).

Se eu fosse uma direcção, seria o Norte ( talvez porque seja onde vivo).

Se eu fosse um móvel, seria um sofá (com uma mantinha, enroscadinha, a ver um bom filme).

Se eu fosse um líquido, seria água (bem precioso que não devemos desperdiçar).

Se eu fosse um pecado, seria gula (se fossem dois, juntaria a preguiça - às vezes é difícil vencê-la).

Se eu fosse uma pedra, seria um grão de areia (sozinho não vale nada, mas muitos fazem uma bela praia).

Se eu fosse uma árvore, seria uma laranjeira (cheia de flores).

Se eu fosse uma fruta, seria morangos (mas qualquer uma é boa).

Se eu fosse uma flor, seria uma margarida (simples).

Se eu fosse um clima, seria ameno (nem quente, nem frio, simplesmente agradável).

Se eu fosse um instrumento musical, seria um flauta transversal (um som melodioso).

Se eu fosse um elemento, seria fogo (também eu aqueço, por vezes).

Se eu fosse uma cor, seria azul (como o céu, como os meus olhos, como este blog).

Se eu fosse um animal, seria um cavalo (elegante e soberano).

Se eu fosse um som, seria o som do mar (que bate na rocha e que nos acalma o espírito).

Se eu fosse música, seria uma música calma e romântica (que nos relaxa e nos faz sentir bem).

Se eu fosse estilo musical, seria uma mistura de vários (os gostos são variados).

Se eu fosse um sentimento, seria amizade (sentimento que mais admiro e mais preservo).

Se eu fosse um livro, seria "Há sempre um amanhã", de Pearl S. Buck (uma história marcante).

Se eu fosse uma comida, seria Bacalhau com Natas (adoro! e costuma sair-me bem).

Se eu fosse um lugar, seria um campo imenso, relvado, com muitas árvores (um autêntico paraíso).

Se eu fosse um gosto, seria doce (novamente o pecado da gula).

Se eu fosse um cheiro, seria o cheiro da terra molhada (como quando começam a cair as primeiras gotas da chuva).

Se eu fosse uma palavra, seria amo-te! (dita com verdadeiro sentimento).

Se eu fosse um verbo, seria sorrir (exercício que mais músculos envolve).

Se eu fosse um objecto, seria algo útil (imprescindível na vida).

Se eu fosse peça de roupa, seria um casaco (que nos aconchega quando temos frio).

Se eu fosse parte do corpo, seria uma boca (para poder sorrir).

Se eu fosse expressão facial, seria sorridente (e não há duas sem três).

Se eu fosse personagem de desenho animado, seria o Shrek (um sentido de humor genial).

Se eu fosse filme, seria "O Clube dos Poetas Mortos" (o meu filme preferido).

Se eu fosse forma, seria redonda (já sou ...).

Se eu fosse número, seria o doze (o meu número no 7º ano).

Se eu fosse estação, seria o Outono (adoro ver as árvores nos seus tons castanhos, dourados).

Se eu fosse uma frase, seria “Carpe Diem" (porque é assim que deve ser a nossa vida).

E agora a rede é lançada a ti, sim a ti que acabastes de ler este texto. Acredita que não é fácil, mas no fim vale a pena.

Além de outros te conhecerem melhor, também tu ficas com uma perspectiva diferente da tua pessoa, por responderes a "coisas" que talvez nunca tivesses pensado.

Fico à espera!

domingo, 8 de abril de 2007

Páscoa - Festa da Ressurreição

Que a luz de Cristo Ressuscitado invada o teu coração,
para o iluminar e fazer brilhar no mundo em que vivemos.
Aleluia!

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Dias Especiais

Há dias especiais!

Dias em que acordamos e vemos o Sol a sorrir, a chuva a saudar-nos, o vento que nos abraça, um pássaro que canta e uma flor que se abre, só para nós, um presente que espera ansiosamente ser aberto!

Há dias em que mesmo sendo “crescidos”, nos tornamos pequeninos outra vez.

Há dias assim, dias especiais, dias de festa, e hoje é um deles!


segunda-feira, 2 de abril de 2007

Feliz Páscoa


Receita para uma Páscoa em grande

Uma boa dose de amêndoas;

Muitos ovos de chocolate;

Muitos amigos para partilhar;

E como toque final,

Uma boa disposição constante!

quinta-feira, 29 de março de 2007

Balanço de final de período

Finalmente em interrupção lectiva, a tal que eu referi no post anterior como MERECIDA!
E acreditem que é, depois desta semana intensa (e intensiva de reuniões).

Eu já o disse por aqui e volto a repetir - Detesto a época de avaliações! Horas e horas a ponderar, a reflectir sobre o trabalho desenvolvido e a nota merecida. E quando já pensamos que temos tudo pensado, voltamos a "pegar" nos apontamentos e reflectimos melhor se aquela é realmente a nota merecida.

Depois são os colegas, sim, porque eles também têm de merecer referência, uns pela positiva, outros pela negativa.

Há colegas que, não sendo Directores de Turma, vão para as reuniões com ar de quem já está de férias e o que querem é despachar aquilo o mais depressa possível;

Há colegas que, não fazendo devidamente o seu TDC (entenda-se Trabalho de Casa), estão nas reuniões cheios de dúvidas acerca dos níveis a atribuir e atrasam a reunião;

Há colegas, que não sendo Directores de Turma e tendo feito o TDC, logo não têm nada mais que fazer, estão nas reuniões a comentar cada um dos garotos mencionados com histórias que em nada os beneficia (ou prejudica);

Há colegas (como eu), que sendo Directores de Turma (como eu), andam em stress com medo de não ter tudo preparado (como eu), com medo de que algo corra mal (como eu)...

Para a reunião levei o máximo de trabalho adiantado, para que não se prolongasse demasiado. A reunião fluiu naturalmente, os assuntos foram tratados, a burocracia devidamente preenchida, embora as conversas paralelas existissem, sendo necessário de vez em quando chamar a atenção de determinados colegas. O P. (fica aqui a merecida e prometida referência) foi novamente o sacrificado do computador a registar os níveis nos registos de avaliação (tarefa na qual já está perito :) fazendo-a em todas as reuniões em que participa) e logo na segunda-feira consegui entregar e verificar todo o material. Uf, que alívio!

As reuniões prolongaram-se até quarta-feira e da parte da tarde ainda tivemos "direito" a uma reunião geral de Agrupamento, incluindo funcionários. Um auditório completo, um assunto sério, uma semana em cheio!

Mas sabem, fica-se triste, quando após um período de trabalho (em especial dos professores) não se verificam grandes melhorias nas notas dos garotos, bem pelo contrário, alguns ainda conseguem fazer pior. Fico triste com a situação, mas tenho consciência que fiz a minha parte e não depende só da minha vontade, nem de um Conselho de Turma. Se eles não se aplicarem não há milagres!

De volta a casa, ao ninho, resta-me aproveitar estes dias de pausa para recuperar forças, preparar o próximo período e encher a barriga de amêndoas, em especial as de chocolate branco. Adoro!

sábado, 17 de março de 2007

A interrupção MERECIDA está à espreita...


Se espreitarmos com muita atenção, muita mesmo, já conseguimos ver lá ao fundo a merecida interrupção lectiva.

Merecida para todos, digo eu, depois de 3 meses de trabalho, reuniões, burocracias, testes e trabalhos corrigidos e outras coisas menos felizes (como agressões a alguns colegas nossos).
Mas a semana, melhor, as semanas que aí se aproximam são de intenso trabalho para todos nós. Já me estou a imaginar: notas para "dar" até 5ª feira, novos registos de avaliação, reunião de Conselho de Turma para preparar, enfim... O tempo não estica, bem pelo contrário, parece que está a encolher.

E contra tudo isto, já repararam como os dias nos convidam a sair, a apanhar este ar primaveril, a receber o abraço caloroso do sol que nos envolve?

Já repararam?

Então não o desperdicem e retirem uma hora do tempo que a escola nos preenche e apreciem esta Primavera que resolveu aparecer mais cedo. Vão até à praia e sintam o seu odor. De certeza que quando regressarem a casa o trabalho fluirá de maneira diferente, pois as pilhas foram renovadas!


sexta-feira, 9 de março de 2007

É anedota, não é?

Situação 1:

Estamos em Setembro, perante uma turma de 25 alunos do 7º ano de escolaridade. A professora apresenta-se e apresenta a disciplina de Ciências Físico-Químicas, a qual é nova para estes alunos. Depois de um pouco de diálogo:

Professora: E se possível faremos uma visita de estudo à Lua.

Timidamente um aluno ao fundo da sala levanta a mão:

Aluno: Não sei se a minha mãe me deixa ir. Tenho de pedir autorização.

Situação 2:

Numa outra turma, na mesma escola, numa aula de apresentação idêntica à anterior.

Professora: Tinha pensado fazer uma visita de estudo à Lua, mas o Conselho Executivo não autorizou.

Coro de alunos em protesto uníssono: É sempre a mesma coisa, o Conselho Executivo nunca nos deixa fazer nada...

Situação 3:

Escola diferente, aula do 8º ano sobre ondas sonoras e frequência.

Aluno A: Ó professora eu tenho um rádio que só apanha estações de rádio espanholas e apenas uma portuguesa.

Professora: Isso é porque o rádio foi comprado emEspanha.

Aluno A: Sim, foi comprado em Badajoz. Olha, não tinha pensado nisso.

Aluno B: Isso é a sério?

Professora: Claro.

Aluno B: Então o meu cunhado comprou um leitor de CD´s para o carro em Espanha…

Professora: Nesse caso as músicas que toca são espanholas.

Aluno B: Mesmo que sejam em inglês?

Professora: Claro. O leitor faz a tradução.

Aluno B: Que giro!

Nota ao leitor:

No final os alunos foram devidamente esclarecidos da situação.

Situação 4:

Numa aula experimental:

Aluno: Professora o protocolo diz para adicionar 2 espátulas de sal, mas nós só temos uma?!


ATENÇÃO: Não, isto não foi retirado de nenhum site da net, nem mesmo de nenhuma revista. Aconteceu de facto, em aulas minhas!

terça-feira, 6 de março de 2007

Já espancou um professor?

Bater em professores tornou-se o desporto favorito dos portugueses. Só no ano passado, segundo dados do Observatório de Segurança Escolar, houve 390 agressões a professores, o que, tendo em conta que o ano lectivo tem cerca de 180 dias de aulas, dá a luzida média de dois por dia. Por outro lado, a Linha SOS Professor anunciou que 40% dos docentes que a contactaram desde Setembro foram vítimas de agressões por parte de alunos e encarregados de educação. A ministra Maria de Lurdes Rodrigues está, pois, de parabéns por vários motivos não só foi ela a da ideia, inaugurando o seu memorável mandato a "bater" nos professores, acusando-os de todas as desgraças da Educação em Portugal, como o facto de os professores espancados acabarem, na maior parte dos casos, no hospital permitirá excluí-los de progressão na carreira, já que em boa hora se lembrou de pôr as faltas por doença a contar para a avaliação da sua assiduidade. A ministra promete agora "restituir" a autoridade às escolas. Pode imaginar-se o que isso quer dizer através do exemplo de autoridade já dado pelo CE da Escola EB 2+3 de Maceda (Ovar), que, no caso de uma professora pontapeada, mordida e ferida no couro cabeludo pela mãe de um aluno decidiu pôr um processo disciplinar à professora.

sábado, 3 de março de 2007

Assunto? Direcção de Turma, claro!

Falam, falam, falam, falam e não dizem nada. Fico chateada, com certeza que fico chateada!

Tive a reunião intercalar da minha direcção de turma esta semana. Os assuntos a abordar não seriam demorados, mas bolas, uma pessoa fica chateada quando 2 dias antes nos perguntam “Não vai demorar muito, pois não?”, “Tu despachas aquilo rápido, não é?”, e vai-se a ver são esses próprios que mais atraso provocam a discutir aquilo que o professor de Tecnológica costuma chamar baixinho de “discussão sobre o sexo dos anjos”.

Toda a gente está farta de reuniões, eu sei, eu também estou. Ainda para mais porque sendo Directora de Turma me vejo atolada em burocracias e papéis que nunca mais acabam – planos de recuperação para um lado, planos de acompanhamento para outro. E afinal, esses planos servirão para alguma coisa?

O que eu sei é que na minha turma não se verificaram melhorias, bem pelo contrário. Mas que posso eu fazer? Eu não sou mãe deles e vendo bem as coisas, se nem os próprios pais se preocupam, o que se pode esperar destes miúdos?

Desde que o ano começou que não tinha tido “queixa” da direcção de turma que me atribuíram. Repararam no tempo verbal? Pois, não tinha, porque nestes últimos dois meses tem sido demais. Talvez seja melhor fazer uma lista (e mesmo assim corro o risco de me escapar alguma coisa):

- faltas a aulas de substituição, com a consequente queixa de uma professora da turma ao Conselho Executivo, e nenhuma palavra à Directora de Turma;

- alunos que faltam 3 dias seguidos e que escondem dos pais estas faltas, que me mentem e até falsificam as justificações;

- pais que são chamados à escola, encolhem os ombros e me dizem “Que posso eu fazer? Para o ano não o deixo vir para a escola!”;

- pais que não demonstram qualquer interesse pelo aproveitamento do aluno, ao ponto de nem saberem quantas eram as negativas que o educando teve no 1º período e que dizem ao filho “ não assino mais nenhum teste negativo”, como se isso fosse um castigo que levasse esse aluno a obter um aproveitamento satisfatório;

- pais ou parentes próximos (penso que era tio) que dão palpites sobre a forma como se ensina na escola, como se fosse possível estar sentado ao lado de um aluno, a explicar enunciados, numa turma de 28!

- alunos que começam a revelar um comportamento mais irrequieto e até mesmo perturbador na sala de aula, a ponto de um deles receber uma falta disciplinar (segundo o próprio, foram essas as palavras da professora), da qual eu ainda não tomei conhecimento;

- alunos que faltam dias seguidos, supostamente por doença, e que não apresentam qualquer justificação por parte do encarregado de educação. “Oh senhora professora, eu tenho-me esquecido de lhe assinar a caderneta”;

- alunos que têm desentendimentos durante um jogo de futebol em Educação Física, típico destas idades, mas que levam o professor a fazer queixa directamente no Conselho Executivo. Por coincidência, eu estava na escola e soube do assunto, mas será que alguém me iria comunicar alguma coisa?

Porque será que tenho a sensação que sou a última a saber dos acontecimentos. Se sou a Directora de Turma, não devia o processo passar por mim, e eu depois o encaminharia ao Conselho Executivo?

Às vezes sinto-me actriz, melhor, mestre de disfarces (e eu nem aprecio o Carnaval) – ora sou mãe, ora polícia, ora advogada de acusação, ora advogada de defesa, secretária da burocracia, enfim quando arranjarei tempo para fazer aquilo que sei, ser professora?

Afinal, qual é o meu papel nisto tudo?

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Uma questão de tempo


Toda a nossa vida gira em função do tempo - de um dia de 24 horas, de 12 meses distribuídos ao longo de um ano, de anos e anos que compõem a nossa vida.
Na profissão de um professor, o tempo assume uma importância ainda maior. O ano de um professor começa quase no final do ano de um cidadão comum. É tempo de planificar, prever o tempo que se demorará a falar deste ou daquele assunto, de quanto tempo se dedica à avaliação dos conhecimentos, do tempo em que perdemos a explicar uma e outra vez a alunos que parecem não estar presentes na sala (pelo menos em espírito).
O tempo vai passando e damos conta que estamos mais atrasados nesta turma ou mais adiantados naquela. E assim alteramos ou reformulamos a planificação. No fundo, estamos sempre a fazê-lo...
O tempo vai passando e são os testes que surgem para corrigir. E quando pensávamos que poderíamos descansar um pouco, logo chega a segunda ronda de fichas para elaborar e/ou corrigir.
Toda a nossa vida é guiada em função do tempo - tempo para dedicar à família, tempo para dedicar aos amigos, tempo para dedicar à profissão, tempo para dedicarmos a nós próprios. E às vezes, parece que o tempo não chega para tudo e no entanto temos a sensação de andar sempre a correr para conseguir fazer tudo o que estava previsto.
Dizem que o dia tem 24 horas. Às vezes duvido, acreditam? Ainda ontem era Sábado e já amanhã é Segunda-feira. Quase não tive tempo de desfazer o saco que transporta as minhas coisas nestas viagens de fim de semana, que mais parecem visitas relâmpago... Estamos a fazer algo e logo o nosso pensamento planifica a próxima actividade ou até mesmo as seguintes.
Talvez o tempo seja o factor que mais influencia o stress, esta corrida que caracteriza o ser humano e que não o deixa parar e apreciar as coisas boas da vida - a família, os amigos, a Natureza em geral. Talvez a culpa seja nossa que deixamos que o tempo tome conta de nós. Talvez, mas o que a mim me parece é que o tempo parece voar. Já repararam que estamos a um mês deste período terminar? E para o final do ano? Nem vale a pena pensar...


Talvez o melhor conselho seja mesmo aproveitar o nosso tempo, da melhor maneira possível, não esquecendo de dar valor às coisas realmente importantes da nossa vida.


A propósito destas reflexões sobre o tempo deixo-vos este link, que há pouco tempo recebi por mail. Divirtam-se...


domingo, 18 de fevereiro de 2007

Direcção de Turma

Já não é novidade para aqueles que têm o hábito de por aqui passar do Cargo (com maiúscula para parecer importante) que este ano me saiu - sou Directora de Turma!

A turma é de 7º ano, de 27 alunos e um desconhecido. É um aluno que nunca apareceu e nunca ninguém passou pela escola para esclarecer a sua situação. A desvantagem desta turma é que, se estivessemos em avaliação, eu já não poderia esperar uma boa nota devido a este abandono (Bolas, lá se foram os 25 mil euros do prémio de desempenho!).
Não é uma turma complicada no que fiz respeito a comportamento. Já no que toca ao aproveitamento, enfim, acho que deve ser do vírus que por aí passa e os contagia a todos - estudar não é com eles. Em relação aos Encarregados de Educação não tenho nada a apontar. Ou melhor, noto um certo desinteresse pelos seus educandos. Não me procuram, não querem informações. Ou os filhos contam tudo em casa, ou então... quando o filho reprovar no final do ano talvez se perguntem porquê. Não será um pouco tarde?

Como Directora de Turma sei que tenho alguns deveres, mas corrijam-me se estou enganada, eu penso que não sou a responsável pela falta de estudo da minha Direcção de Turma. No meu ponto de vista, cada professor, na sua aula, tem o dever de chamar a atenção aos alunos e de avisar os respectivos encarregados de educação do trabalho realizado. Gosto de ser informada, claro, mas não me parece que seja eu a responsável. Revolta-me que em cada intervalo se dirijam a mim para fazer estas queixas e com comentários do género: "Os teus meninos não estudam, estás tramada!".

Em contrapartida, em determinadas situações têm a capacidade de "saltar por cima" do Director de Turma. A última é, a meu ver, um pouco caricata. Talvez nunca tenha comentado por aqui, mas um grupo de alunos da minha Direcção de Turma não gosta de aulas de substituição (como eu os compreendo) e simplesmente não comparecem nessas aulas. Os Encarregados de Educação estão informados de todas as faltas que estes alunos têm nas várias disciplinas em que o professor se ausentou e, aparentemente, não demonstram nenhuma preocupação. Ora, há algumas semanas atrás uma professora desta turma resolveu fazer queixa ao Conselho Executivo destas ausências. Como consequência o Presidente, que nessa mesma hora se dirigiu à turma, ameaçou-os com um dia de suspensão por cada 5 faltas (para terem uma ideia a professora substituta de Matemática, que também lecciona Estudo Acompanhado e Área de Projecto, demorou 3 semanas a ser colocada)! Ninguém me disse nada, ninguém me pediu satisfações, ninguém me chamou a atenção para o facto, nem colega, nem presidente. Sei o que aconteceu pela boca dos meus alunos que apenas comentaram (eles não são de fazer queixas). Por sorte (ou azar, pois gostava de saber onde isto iria dar) ainda mais nenhum professor faltou. O que eu sei é que neste momento a minha turma é considerada uma turma muito "jeitosa"! E outras situações, bem mais graves que se passam nesta escola continuam impunes...

Em mãos tenho uma preocupação relacionada com 2 alunos que têm faltado muitas vezes. Nem eu, nem os pais, estamos a conseguir resolver a situação. Eles não dizem o que se passa, mas parece-me que o caso é grave. Espero estar enganada!


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Estamos em interrupção lectiva e de certeza que bem merecida para todos nós, que até há bem pouco tempo andávamos atulhados em testes!
Gozem bem esta pausa, porque "A vida são 2 dias e o Carnaval 3"!
Não sei se será impressão minha, mas quer-me parecer a mim que este período está a passar muito depressa, já para não falar do ano lectivo...
Pessoalmente não gosto muito do Carnaval, mas a todos quantos anseiam por esta época espero que se divirtam! Aproveitem!


sábado, 10 de fevereiro de 2007

A autoridade e o respeito (ou falta dele) na escola

Autoridade

sem ela o homem não pode existir e,
contudo, é coisa que traz consigo tanto de erro como de verdade.

Johann Wolfgang von Goethe, in 'Máximas e Reflexões'

Fala-se em autoridade e no peso que ela tem ou deveria ter na escola.
Há alguns anos o professor era entendido como a autoridade máxima, que todos respeitavam e veneravam pela sua figura - a do educador/formador. A palavra do professor era lei e era com orgulho que o povo, na sua humildade, oferecia ao senhor professor frutos do seu trabalho.

Os anos passaram e não sei como (um Katrina, talvez) passou pela Educação e essa figura do professor já não existe, ou pelo menos a sua figura de autoridade. Os tempos são outros, é verdade. O professor não pode sequer levantar a voz ao aluno, que logo chega o seu encarregado de educação a querer tirar satisfações, porque o menino até pode ficar traumatizado.

É certo que nesses anos passados a autoridade por vezes caía no exagero e a violência era demasiada, num local que se queria de aprendizagem. Mas hoje também se pode falar no exagero que existe de falta de autoridade e de falta de respeito.
Os nossos alunos são caracterizados por uma falta de respeito, por um ar de arrogância que os faz ter a "resposta na ponta da língua" sempre que um professor o chama à atenção. E então surgem os casos de violência, que algumas "almas inocentes" querem fazer crer que são casos únicos, isolados.
O professor tenta por todos os meios que legalmente tem à sua disposição fazer valer a sua autoridade, dentro e fora da sala de aula, mas por vezes, autoridades superiores parecem querer diminuir essa autoridade do professor. Há turmas complicadas em termos de comportamento e atitudes. No fundo, quem é que ainda não se cruzou com alguns alunos ditos "complicados"? Por isso é importante punir quem não respeita, quer colegas, quer superiores. E em certas situações não o deixar ficar impune, correndo o perigo de abrir precedentes.

Esta situação aconteceu esta semana. Estes foram os factos que se contaram.
Uma aluna foi chamada à atenção por uma funcionária sobre o facto de se estar a fazer acompanhar por um rapaz não pertencente à escola, logo sem autorização para estar dentro da escola. A aluna parece que não gostou e começou a agredir a dita funcionária, quer verbal quer fisicamente. Uma outra funcionária (por sinal, com um pouco mais de idade) apercebeu-se e foi separá-las, acabando por também ela ser agredida da mesma forma. Ficou de rastos a senhora, até metia dó (é talvez a funcionária mais simpática e prestável de toda a escola). Ninguém na sala de professores se apercebeu, ninguém viu nada. A aluna em causa parece ser do 6º ano. Mas o problema é que parece que o Conselho Executivo, que entretanto soube da ocorrência, se vai limitar a fazer uma mera repreensão. Não me parece correcto, pois no meu ponto de vista o caso é sério e a medida a aplicar deveria ser severa. Pode ser que tenha sido um mero boato, pode ser que eles pensem melhor no caso, mas se tal não acontecer onde fica aqui a autoridade da escola, dos professores e dos funcionários, perante um caso evidente de falta de respeito e falta de educação? Não poderá ser este o rastilho que todos receiam? Não quero ser alarmista, mas pelas histórias que se vão ouvindo é caso para nos pormos a pensar...

Mas a violência também existe entre eles próprios. Há uns posts atrás falava no clima que se vivia na minha escola, fruto de desavenças entre os alunos da escola básica e os da escola secundária. Falava-se num rastilho de pólvora, prestes a incendiar. Algumas semanas se passaram e logo outra situação se sucedeu. Um dia, na parte da tarde, cerca de 20 alunos de uma escola de uma freguesia vizinha apresentaram-se, armados de bastões, vidros e sabe-se lá mais o quê, para um ajuste de contas. A situação foi controlada, mas a preocupação permanece pois não se sabe quando se voltará a repetir.

Como prevenção a escola resolveu contactar a GNR, pois sendo uma autoridade, sempre poderia garantir alguma segurança nas imediações da escola. A resposta foi clara: provavelmente estão a exagerar um pouco a situação, e isso não passa de brincadeiras de garotos. Pois, e assim a escola permanece sem qualquer segurança, quer para os alunos, quer para o pessoal docente e não docente!

domingo, 4 de fevereiro de 2007

A Escola e a Publicidade

Aluno: "Ó professora sabia que uma vaca tem 4 estômagos?"


Aluno: "E que as vacas conseguem subir escadas, mas não conseguem descer?"


Aluno: "E sabe como se diz vaca em latim?"


Professora: "Estás muito atento à televisão. E quanto à matéria? Qual a diferença entre massa e peso?"


Aluno: "..."



Andamos nós dia após dia a tentar "meter" alguns conceitos na cabeça dos garotos. Afinal basta uma simples publicidade e logo eles aprendem o texto todo! Até pensei em disfarçar-me...



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A época é de trabalho, não é difícil de adivinhar - TESTES! Assim, que os papéis "desaparecerem" de cima da secretária faço uma visita aos vossos cantinhos.
A todos uma boa semana!

sábado, 27 de janeiro de 2007

Pensamento da Semana

Às vezes andamos mais desanimados, mais tristes, mais cansados. Mas acabamos por desabafar e então parece que ficamos mais leves.

A vida de professor em Portugal não está fácil, eu sei, vocês sabem. Mas a verdade é que não adianta desanimar. Nessas alturas pensemos numa coisa: O que nos move? Por que razão somos professores?

A resposta a estas (e outras perguntas) de certeza que nos ajudam a encarar o dia de outra forma, com um outro olhar... E sabem, no fundo (mas muito lá no fundo) em cada dia conseguimos encontrar uma criança, um aluno, que nos ajuda a perceber estas razões e que justifica a nossa profissão - através de um olhar, de um comentário, de uma aprendizagem que foi conseguida, através do nosso trabalho. E na certa este motivo chega para não desanimar e para acreditar que o outro dia será diferente. Sabem sou professora e a verdade é que não sei ser outra coisa (e no fundo também não sei se quero ser outra coisa).



Transmite entusiasmo aos teus alunos,
motivando-os para aprender,
para viver - levando-os a empenhar-se
no estudo e na vida.
Os teus alunos - e tu - ficarão muito mais ricos.
in A Arte de Ensinar

sábado, 20 de janeiro de 2007

No fim do arco-íris...

Às vezes penso que esta profissão é muito ingrata. Damos o que temos e o que não temos e nada recebemos em troca. Não estou a falar de aumento do ordenado, nem de uma colocação melhor, mas às vezes uma palavra de apoio ou o recebimento de uma manifestação de apreço por aquilo que fazemos. Na verdade estamos a formar os homens e mulheres de amanhã e não há ninguém que o reconheça!


Este post é resultado de uma reflexão pessoal sobre os posts que a Professorinha (colega bloguista) tem publicado no seu cantinho. A desilusão é notória a quem por lá passe, mas não é única (infelizmente) porque no fundo todos acabamos por a sentir. Esforçamo-nos por desenvolver aulas motivadoras para o estudo, por utilizar as últimas "novidades" do campo da pedagogia, associadas às últimas tecnologias. Tentamos tornar as nossas aulas modernas e na prática os nossos alunos não ligam a mínima para esse esforço.


No início de carreira, lembro-me de ouvir dizer que aquelas ideias todas e a vontade de trabalhar iam desaparecendo com o tempo, que no fundo, isso era fruto da idade, e da novidade de ter acabado o curso. Na altura pensava que não, que essas atitudes estavam com a pessoa e que dependia dela não as perder. Hoje sei bem que não é assim. Eu ainda tenho essas atitudes, essa vontade de inovar, e trabalho com colegas que também as têm, mas de facto os nossos alunos não se interessam por uma aula diferente, por uma metodologia de trabalho que fuja da rotina. Hoje os nossos alunos não querem trabalhar, não querem fazer o mínimo esforço e é natural que fiquemos desanimados, desiludidos.


No outro dia, em conversa na escola, falava-se da utilização de projectores na sala de aula e aulas em power point, tecnologia que parece estar em franco desenvolvimento, havendo algumas escolas que já estão a apostar neste campo. Alguns colegas confessavam que não viam interesse nisso, não por eles não se interessarem, mas pelo facto dos alunos não o apreciarem. E infelizmente é verdade. Devido ao carácter prático da minha disciplina, tento fazer várias actividades experimentais, que tentam, ou motivar para o estudo, ou comprovar a teoria. Mas de ano para ano noto que nem isso os motiva. Fazem a actividade mas não sabem concretamente o que estão a fazer (apesar de eu ler com eles o protocolo e explicar-lhes ao pormenor em que consiste). Simplesmente a escola não lhes diz nada. A juntar a isto tudo está a má educação que parece ser crescente nos nossos alunos, a resposta sempre pronta na ponta da língua, a falta de respeito pelo trabalho desnvolvido. Enfim... Parece que em vez de melhorar, está a piorar.

Ainda não perdi a esperança, e apesar de por vezes me sentir desanimada no fim de uma aula, ainda mantenho a esperança que com a próxima turma seja diferente. Ou então, no próximo ano... Ser positiva acima de tudo (mas até quando?).


A lenda conta que no fim do arco-íris encontramos um pote de moedas de ouro. Não, não é isso que eu procuro. O que eu desejo mesmo é encontrar uma escola onde um professor seja valorizado pelo seu trabalho, onde os alunos se interessem por aprender e até mesmo por ensinar, onde haja respeito por todos. Dizem que é difícil encontrar o fim do arco-íris, quem sabe não tenho sorte?! Alguém me quer acompanhar?


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Finalmente foi publicado e parece que entra hoje em vigor!


Lutamos, gritamos, manifestamos, mas parece que ninguém nos ouviu. O ensino não anda bem em Portugal, e a culpa pelos vistos é dos professores. Até pode ser, porque na vida há sempre um justo que paga pelo pecador ( e bem sabemos que existem colegas menos correctos). Mas antes de nos levantarem o dedo e nos acusarem, ponham-se na nossa pele, visitem as nossas escolas e passem um dia ao nosso lado, com as turmas com que diariamente temos de lidar. E depois sim, depois acusem-nos de sermos malandros, de não termos competência para ensinar. Mas não nos acusem sem saberem o que é estar diante de 30 garotos que a única coisa em que pensam é divertir-se, falar ao telemóvel, brincar com os colegas e que nos dizem que não estão para nos aturar, porque aquilo que temos para lhes dizer não lhes interessa nada. Sabem uma coisa, cada vez é mais difícil ser Professor neste país...

sábado, 13 de janeiro de 2007

Uma semana nada fácil...

Mais uma semana de aulas que chegou ao fim, finalmente...

Esta não foi uma semana fácil. A minha escola parece um barril de pólvora, prestes a explodir. O clima é estranho e agrava-se ao final do dia. Tudo por causa de conflitos de miúdos (e graúdos), entre a escola básica e a secundária, que se traduziram em ajustes de contas. Na segunda feira, a escola foi invadida literalmente por alunos da secundária. Ninguém percebeu como foi possivel entrarem na escola, mas a verdade é que há uma falha em termos de segurança na hora de saída. Conclusão, nos dias seguintes a GNR esteve a "patrulhar" a zona.

Sente-se um clima de instabilidade. Os miúdos das duas escolas apanham o mesmo transporte por isso podem imaginar... E depois basta andarem 2 à luta para logo se juntarem mais meia dúzia. Ontem (6ª feira) foi o susto - 20 garotos da escola secundária voltam a "atacar" e novamente a GNR foi chamada a intervir. A insegurança é de tal ordem que os professores que saem às 18h30 (hora a que terminam as aulas) esperam sempre 15 a 20 minutos antes de irem embora.

Pelo que dizem os colegas mais antigos, nos anos anteriores não era assim. A situação está a ficar complicada e ninguém sabe onde isto irá parar. Já há quem compare esta escola com as do Porto. Pessoalmente, espero que não atinja esse limite, mas confesso que nos meus anos de serviço este é o primeiro em que utilizo mais vezes a caderneta dos alunos para enviar mensagens aos Encarregados de Educação. Só ontem numa aula foram 4 (!!). Ou são os miúdos que são diferentes (e para pior) ou sou eu que já estou a perder a paciência (ou serão as duas razões).

Mas a semana não termina por aqui. A minha sexta feira termina com a área curricular "Área de Projecto". Não sei se já o disse, mas esta é uma área que eu não gosto muito de trabalhar. Por azar (talvez) a turma à minha responsabilidade é aquela que eu considero a mais problemática, das minhas 5. Só ontem foram cerca de 90 minutos para formar novos grupos de trabalho pois não estavam a conseguir entenderem-se (quase que se matavam). Depois é a própria ideia de área de projecto, pois eles pensam que podem fazer o trabalho que querem, mesmo que o tema de um grupo não tenha nada a ver com o outro. Desculpem-me que eu posso estar enganada, mas no meu ponto de vista esse não é o verdadeiro objecto desta área curricular. A ideia é definir um tema de um projecto, que será igual na turma, e depois cada grupo irá desenvolver um sub-tema relacionado com o tema definido. E perceberem isto...?

Sabem, depois de uma semana destas sabe bem o descanso no ninho! Por isso, aproveitem este fim-de-semana da melhor maneira possível.

Quanto a mim, vou descansar as ideias em frente ao mar...

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

De volta à normalidade (ou quase)!

Depois dos enfeites, das festas, dos presentes e dos doces (muitos doces!) é tempo de voltar à normalidade, à rotina do quotidiano, das viagens, das aulas... Enfim, Regresso às Aulas - Parte II!

A primeira semana foi curta (oh, como era bom se fosse sempre assim...) mas também não se podia pedir muito, depois dos dias de festas que estivemos a viver. Até os miúdos estavam "adormecidos" - que pena não estarem sempre assim!

Assim, esta será a primeira semana de trabalho, em pleno, de 2007.

E logo a abrir a reunião para entrega das avaliações. Foi rápida (não sei se fui rápida demais), mas a verdade é que eu não tinha muito a dizer (e os pais também não quiseram perguntar nada). Por isso, limitei-me a informar os pais presentes (apareceram 17 em 27 alunos) do aproveitamento e comportamento da turma, chamando a atenção para a "fiscalização" das cadernetas (sim, porque eles são uns peritos na arte de "esconder" a caderneta).

Será que me escapou alguma coisa? Não me deram nenhumas indicações e não sendo uma turma com problemas (graças a Deus, que eu sou novata) não tinha muito mais a dizer.

No final só ficaram os pais dos alunos com Planos de Recuperação (para os assinarem e perceberem para que servem) e terminei a reunião. Será que realmente não me escapou nada?

E lá estamos de regresso ao trabalho, com aulitas para preparar (sim, férias são férias e estas foram-no na verdadeira acepção da palavra (pelo menos no que diz respeito a férias de escola)).


Bom regresso ao trabalho!!!!


P.S. Só por curiosidade. Na rádio estão a dizer que hoje é dia de "Limpar a Secretária". Há dias para tudo, enfim...

Receita para um Ano Feliz

Tome 12 meses completos.

Limpe-os cuidadosamente de toda a amargura, ódio e inveja.

Corte cada mês em 28, 30, ou 31 pedaços diferentes, mas não cozinhe todos ao mesmo tempo.

Prepare um dia de cada vez com os seguintes ingredientes:

- Uma parte de fé
- Uma parte de paciência
- Uma parte de coragem
- Uma parte de trabalho

Junte a cada dia uma parte de esperança, de felicidade e amabilidade.

Misture bem, com uma parte de oração, uma parte de meditação e uma parte de entrega.

Tempere com uma dose de bom espírito, uma pitada de alegria e um pouco de acção, e uma boa medida de humor.

Coloque tudo num recipiente de amor.

Cozinhe bem, ao fogo de uma alegria radiante.

Guarneça com um sorriso e sirva sem reserva.


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