sábado, 10 de fevereiro de 2007

A autoridade e o respeito (ou falta dele) na escola

Autoridade

sem ela o homem não pode existir e,
contudo, é coisa que traz consigo tanto de erro como de verdade.

Johann Wolfgang von Goethe, in 'Máximas e Reflexões'

Fala-se em autoridade e no peso que ela tem ou deveria ter na escola.
Há alguns anos o professor era entendido como a autoridade máxima, que todos respeitavam e veneravam pela sua figura - a do educador/formador. A palavra do professor era lei e era com orgulho que o povo, na sua humildade, oferecia ao senhor professor frutos do seu trabalho.

Os anos passaram e não sei como (um Katrina, talvez) passou pela Educação e essa figura do professor já não existe, ou pelo menos a sua figura de autoridade. Os tempos são outros, é verdade. O professor não pode sequer levantar a voz ao aluno, que logo chega o seu encarregado de educação a querer tirar satisfações, porque o menino até pode ficar traumatizado.

É certo que nesses anos passados a autoridade por vezes caía no exagero e a violência era demasiada, num local que se queria de aprendizagem. Mas hoje também se pode falar no exagero que existe de falta de autoridade e de falta de respeito.
Os nossos alunos são caracterizados por uma falta de respeito, por um ar de arrogância que os faz ter a "resposta na ponta da língua" sempre que um professor o chama à atenção. E então surgem os casos de violência, que algumas "almas inocentes" querem fazer crer que são casos únicos, isolados.
O professor tenta por todos os meios que legalmente tem à sua disposição fazer valer a sua autoridade, dentro e fora da sala de aula, mas por vezes, autoridades superiores parecem querer diminuir essa autoridade do professor. Há turmas complicadas em termos de comportamento e atitudes. No fundo, quem é que ainda não se cruzou com alguns alunos ditos "complicados"? Por isso é importante punir quem não respeita, quer colegas, quer superiores. E em certas situações não o deixar ficar impune, correndo o perigo de abrir precedentes.

Esta situação aconteceu esta semana. Estes foram os factos que se contaram.
Uma aluna foi chamada à atenção por uma funcionária sobre o facto de se estar a fazer acompanhar por um rapaz não pertencente à escola, logo sem autorização para estar dentro da escola. A aluna parece que não gostou e começou a agredir a dita funcionária, quer verbal quer fisicamente. Uma outra funcionária (por sinal, com um pouco mais de idade) apercebeu-se e foi separá-las, acabando por também ela ser agredida da mesma forma. Ficou de rastos a senhora, até metia dó (é talvez a funcionária mais simpática e prestável de toda a escola). Ninguém na sala de professores se apercebeu, ninguém viu nada. A aluna em causa parece ser do 6º ano. Mas o problema é que parece que o Conselho Executivo, que entretanto soube da ocorrência, se vai limitar a fazer uma mera repreensão. Não me parece correcto, pois no meu ponto de vista o caso é sério e a medida a aplicar deveria ser severa. Pode ser que tenha sido um mero boato, pode ser que eles pensem melhor no caso, mas se tal não acontecer onde fica aqui a autoridade da escola, dos professores e dos funcionários, perante um caso evidente de falta de respeito e falta de educação? Não poderá ser este o rastilho que todos receiam? Não quero ser alarmista, mas pelas histórias que se vão ouvindo é caso para nos pormos a pensar...

Mas a violência também existe entre eles próprios. Há uns posts atrás falava no clima que se vivia na minha escola, fruto de desavenças entre os alunos da escola básica e os da escola secundária. Falava-se num rastilho de pólvora, prestes a incendiar. Algumas semanas se passaram e logo outra situação se sucedeu. Um dia, na parte da tarde, cerca de 20 alunos de uma escola de uma freguesia vizinha apresentaram-se, armados de bastões, vidros e sabe-se lá mais o quê, para um ajuste de contas. A situação foi controlada, mas a preocupação permanece pois não se sabe quando se voltará a repetir.

Como prevenção a escola resolveu contactar a GNR, pois sendo uma autoridade, sempre poderia garantir alguma segurança nas imediações da escola. A resposta foi clara: provavelmente estão a exagerar um pouco a situação, e isso não passa de brincadeiras de garotos. Pois, e assim a escola permanece sem qualquer segurança, quer para os alunos, quer para o pessoal docente e não docente!

10 comentários:

asn disse...

Eu já fui aluno, tive filhos na Escola e tenho netos, um no Básico, outro no Secundário.
Consegui acompanhar as suas reflexões sobre esta candente situação da disciplina na Escola. Que acaba por ser um reflexo da deserção da maior parte dos pais dos tempos ditos modernos. Sem educação orientada pelos pais e prosseguida na Escola, com o devido rigor, não se consegue levar a bom termo uma formação integral e contínua do ser humano.
Penso que é fundamental impôr mais rigor e mais disciplina aos meninos, cada vez mais mimados, que estamos a criar.
É urgente que se actue nesta área.
Não será necessário rever todos s conceitos de liberdade de procedimentos com "responsabilidade" que se está a utilizar na Escola e na sociedade em geral?
Vamos passar dum extremo de repressão como antigamente para um "deixa passar, deixa fazer" incontrolável?
Queremos construir uma sociedade justa, sensata, culta ou não nos ralamos que sobrevenha a anarquia como sistema ideal de vida em sociedade?
Boas reflexões e melhores práticas, prof. de olhar azul (tenha esperança!).
António

Tozé Franco disse...

Confundiu-se autoridade com autoritarismo. Se o segundo é de dispensar o primeiro é essencial para a vida em sociedade.
Espero bem que a atitude do Directivo seja apenas boato, porque a atitude da aluna implica um processo disciplinar e não me acredito que qualquer Conselho Directivo esteja a influenciar a decisão do instrutor do processo. Espero eu, ou melhor, quero acreditar nisso.
Pena é que a funcionária não apresente queixa crime contra a agressora.
Bom fim-de-semana.

Professorinha disse...

A autoridade é coisa que os alunos não conhecem. Em casa ninguém lhes dá educação ou disciplina, eles dizem e fazem o que querem, na escola não temos autoridade porque somos exovalhados pelo minstra e pela comunicação social. Resta-nos a vaga satisfação de saber que esses meninos que têm a mania que mandam quando chegarem a um emprego vao ver oque é bom para a tosse... Isto se não passarem pela vida a receber o rendimento de inserção social...

Anónimo disse...

como é possível tanto ódio professorinha?? Deus meu... Deve ser mesmo um inferno para si dar aulas!

Márisa disse...

Um professor não é um super herói!
Um professor é um ser humano!
E como tal a sua própria vontade e motivação não é suficiente para resolver a situação escandalosa da nossa educação!
Felizmente ainda não tive problemas, mas por vezes ouço cada história que é de arrepiar!

Boa semana e beijinhos

Anónimo disse...

A ministra da Educação, bem como certos C. Executivos, estão a retirar estatuto e dignidade aos docentes. Sem estatuto nem dignidade, perde-se o respeito mais elementar - não apenas pelos professores mas também pelos auxiliares educativos. São situações lamentáveis, que talvez mereçam uma resposta menos passiva por parte de toda a classe docente. Hoje, os professores são uma classe órfã, desprotegida e deprimida. Um país que não favorece nem propicia a educação não é um país: é uma coutada para políticos imbecis.

J. Mancelos
http://mancelos.googlepages.com/home

Jofre Alves disse...

Já cá passei uma vez, creio. Volto hoje para apreciar o blogue e desejar bom fim-de-semana. Paredes de Coura afinal é muito perto.

stôra disse...

Tudo o que dizes é verdade, infelizmente. Sinto o mesmo. Na minha escola acontecem cenas semelhantes. Agressões verbais a docentes e auxiliares e, por vezes, chega mesmo a agressão física. Vejo que a tua escola tb é "das boas". Onde é que isto vai parar?!
*Beijinhos* e boas mini férias!

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

sou professora de História e estou cansada de dar aula pela falta de respeito dos alunos. O aluno só tem direito,dever nunca!