sábado, 29 de dezembro de 2007

E assim se passaram 365 dias!!!!!

É verdade! 2008 está quase à porta e parece que foi ainda ontem que entramos em 2007.

O tempo não perdoa, o tempo não pára...

Não tenho por hábito fazer balanço do ano que termina. Pessoalmente não gosto. Prefiro apenas destacar um ou outro acontecimento que de certa forma marcaram o ano de 2007.

Em primeiro lugar, como não podia deixar de ser, a conclusão do mestrado (finalmente!). Sem dúvida o acontecimento mais importante deste ano.

Destaco ainda o facto de ter repetido uma escola, algo que nunca me tinha acontecido. A experiência é totalmente diferente - a nossa relação com os alunos, com os colegas, com a escola em si!

Ao terminar o ano, desejamos sempre que o próximo seja melhor, ou pelo menos igual.
Sinceramente é isso que eu desejo, para mim e para todos os que me rodeiam.

E para cada um de vós que me visita desejo: saúde, paz, amor, alegria e a concretização de todos os sonhos e desejos pessoais!!!!

Que 2008 vos traga tudo aquilo de que precisam!

Feliz 2008


PS: O próximo ano é bissexto, o que na prática significa que terá 366 dias (Fevereiro será um pouco maior!).
A explicação é simples: O movimento de translação da Terra (movimento da Terra à volta do Sol) tem a duração de 365 dias e 6 horas.
Convencionou-se então que, em cada passagem de ano, não se teria em consideração essas 6 horas, mas de 4 em 4 anos acrescentaríamos 1 dia ao calendário (6 horas x 4 anos = 24 horas, ou seja 1 dia)!
Por coincidência (ou talvez não) é nos anos bissextos que se realizam os Jogos Olímpicos.

sábado, 22 de dezembro de 2007

O Natal chegou mais cedo!!!!!

Foi uma semana complicada! Já o tinha avisado no post anterior.

As reuniões cheias de burocracia, o stress típico das avaliações e claro, a defesa da minha dissertação!

Primeiro foi a coincidência - a reunião da minha direcção de turma ne mesma hora da defesa!

Felizmente consegui alterar a minha reunião, antecipando-a. No entanto, no próprio dia da reunião, problemas na rede da escola quase compremetiam a sua realização.

E na quinta-feira lá fui. Nervosa, claro. Ansiosa (e muito). O grande receio era esquecer-me do que tinha para dizer, receio em não conseguir responder às perguntas do arguente (mesmo sabendo que fui eu que fiz o trabalho).

Quase no final da apresentação, um percalço - falhou a luz! Não estão bem a ver... O resto da defesa foi à luz das velas, uma defesa que ficou na história do instituto - nunca tal tinha acontecido.
Felizmente correu tudo bem e consegui o grau de mestre - o meu presente de Natal!

E que presente! Não é pelo título propriamente dito (quem me conhece sabe-o bem), mas acreditem que ao fim de dois anos de trabalho, de pesquisa, de estudo, de noitadas, de tempo exclusivamente dedicado à dissertação é como se um peso me saísse dos ombros.

E por tudo isso quero deixar aqui o meu agradecimento a todos aqueles que estiveram a meu lado ao longo deste tempo e a todos aqueles que nesta última semana me deram todo o apoio - os colegas do Conselho de Turma que gentilmente concordaram em alterar a reuinão e todos aqueles que estiveram a torcer por mim! Obrigada a todos. Sem dúvida que este Natal vai ter um sabor especial!

Aproveito ainda para desejar a todos os amigos que por aqui cruzam o seu olhar um Feliz Natal!

Este

Natal vou

montar uma

árvore dentro do

meu coração e nela

vou pendurar, em vez de

bolas, os nomes de todos

os meus amigos: os antigos e os

mais recentes; os amigos de longe

e os de perto; os que vejo em cada dia

e os que raramente encontro; os que são

sempre lembrados e os que, muitas vezes, ficam

esquecidos; os das horas difíceis e os das horas

alegres; os que sem querer eu magoei ou os que sem

querer me magoaram; aqueles que pouco me devem e aqueles

a quem muito devo; os meus amigos humildes e os meus amigos

importantes; os nomes de todos os que já passaram pela minha vida,

muito especialmente todos aqueles que já partiram e que lembro com tanta

saudade. Uma árvore de raízes muito profundas e de ramos muito extensos para

que os seus nomes não sejam arrancados do meu coração, de sombra muito

agradável para que a nossa amizade seja um momento de repouso

nas lutas da vida.

Que seja Natal

todos os dias do Novo Ano.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Final de Período...

Acabei agora mesmo de preparar a reunião da minha direcção de turma e resolvi passar por aqui.
Bolas, nos últimos tempos nem tenho conseguido postar... Não é que esteja desanimada com o blog, nem com falta de ideias. Estou com falta de outra coisa - TEMPO! Algo que falta a muita gente, eu sei.
Ao mesmo tempo tenho-me sentido cansada. Sim, já sei, é final de período!
Nesta altura parece que cai tudo em cima do Director de Turma - faltas, registos de avaliação para abrir, notas para introduzir, verificar se os outros colegas já o fizeram, elaborar a apreciação global... uf!
Sou de opinião que o trabalho deve ser feito na reunião, para todos colaborarem. Mas se nós não o levamos feito as reuniões nunca mais terminam... Se levamos o trabalho feito apenas 2 ou 3 colegas nos ouvem, o resto conversa ou prepara as suas próprias direcções de turma.
É triste dizer isto, mas alguns dos que por aqui passam e lêem neste momento estas linhas acenam com a cabeça...
Este final trouxe ainda algumas dores de cabeça cá na escola - grelhas de avaliação!! Nem imaginam a discussão que tem dado - faz-se ou não se faz; entrega-se ao DT ou não se entrega; faz-se assim ou faz-se assado...
A juntar a isto tudo (sim, porque o cenário não é apenas cinza - é negro!) tenho a defesa da minha tese na próxima quinta-feira... Que por sinal era coincidente com a reunião da minha Direcção de Turma! A muito custo (?!!!!) consegui alterar a data da minha reunião, mas acreditem que esta semana não vai (não está a) ser fácil.
Por isso peço-vos uma coisita - na próxima quinta-feira torçam por mim. Pode ser?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Pôr a escrita em dia!

Este blog quase que esteve a ganhar teias de aranhas - já há algum tempo que não deixava por aqui os meus olhares ( já havia quem reclamasse).

Não se preocupem que não foram as rabanadas que me fizeram ficar doente (mas que estavam muito boas, lá isso estavam!).

A escola por um lado, a vida pessoal pelo outro, e o tempo não estica...

Mas cá estou de novo, para pôr os assuntos pendentes em ordem. Em primeiro lugar o desafio da LopesCa:

- Escolher um livro à sorte.

- Abrir na página 161 (não vale a pena fazer batota, o livro tem de ter no mínino 162 páginas escritas!)

- Procurar nessa página a 5ª frase completa (estão a ver como não vale a pena fazer batota?).

- Transcrever a frase para o blog.

- Passar o desafio a mais 5 amigos.

E a frase é:

"O avião dele talvez levante voo de manhã cedo; ouço-os no céu, ante de me levantar, vou buscar o dinheiro."

Há sempre um amanhã - Pearl S. Buck
Segue o desafio para:

blogEVENTUAL

Gotinhas de luz

Histórias e Sabores

As Tic no 1º ciclo do EB

Universos Paralelos


Agora o prémio "Mulher que faz pensar!" que o blog As Tic no 1º ciclo do EB me ofereceu.

O prémio é oferecido a mulheres que nos fazem pensar e cabe-me a mim atribuí-lo a 10 pessoas. E a lista segue já:

  • A sra Ministra da Educação

  • A colega F.
Fazem-me pensar, nem sempre bons pensamentos...

  • A minha mãe

  • As amigas S. e C.
Por aquilo que são, por aquilo que lutam, porque penso muito com elas e nelas...

Pela força que transmitem, pela forma como encaram a profissão e a vida, com o exemplo de vida que revelam em cada palavra, em cada post.

domingo, 18 de novembro de 2007

Um cheirinho a Natal, com aroma a canela!

Um pouco por todo o lado já se sente a presença do Natal - lojas, casas particulares, hipermercados e até televisão.

Confesso que não concordo muito com esta atitude que parece, na maior parte dos casos, apelar unicamente ao consumismo, esquecendo o verdadeiro significado desta época. Uma atitude que, de ano para ano, se vê começar mais cedo.

Mas hoje deixei-me levar um pouco nesta onda. Talvez fosse o tempo (cinzento, frio) ou o desejo (íntimo) de que o Natal chegue bem depressa.

O resultado foi umas rabanadas bem quentinhas, bem saborosas e com um cheirinho a canela, que não resisti a partilhar convosco.

Estejam à vontade e bom apetite!

domingo, 11 de novembro de 2007

Novo Estatuto do aluno

recebido por mail

Numa situação deste tipo é sempre bom ver o lado positivo: deste modo teremos redução no número de alunos por turma!

O inconveniente é quando um dia chegarmos à sala e não encontrarmos alunos...

domingo, 4 de novembro de 2007

Olho Vivo!!!

Nestas coisas de negócios, compras e promoções é necessário estar de olho bem aberto.

No final do mês passado dirigi-me a uma loja daquelas que vendem electrodomésticos, material informático e afins (não vou fazer publicidade, mas é aquela em que o forte é o preço) já com a ideia do que iria comprar, uma máquina fotográfica digital.

À entrada da loja pego no folheto para ver se haveria alguma promoção simpática e lá me dirigi à prateleira desejada. Qual não é o meu espanto quando reparo num determinado modelo identificado com 119 euros, idêntico ao do folheto de promoção, mas que aí se designava por 109 euros.

Quando questiono o funcionário da loja sobre a diferença de preços, o mesmo, depois de confirmar o respectivo, informa-me do seguinte:

- Sabe, 119 euros é quanto a máquina irá custar no final da promoção. Mas se a quer levar eu vendo-a por 109 euros.

Então em que ficamos???? Um cliente mais distraído levará a máquina por 119 euros... E sabem, a promoção só iria terminar no final do mês de Novembro. É preciso estar atento!!!

domingo, 28 de outubro de 2007

Um olhar cansado...

O título não engana ninguém. Sim, este olhar está cansado. Decididamente a precisar de férias!!!!

O início de ano foi atribulado e ainda continua a sê-lo. As solicitações são muitas, a burocracia não parece terminar, papéis para um lado e para outro, grelhas de observação, planificações, aulas para preparar (5 turmas - 4 níveis). Às vezes apetece gritar bem alto STOP!!! Afinal, eu também tenho vida pessoal, não pode ser só escola...

A juntar a isto tenho a minha dissertação que me tem ocupado o tempo e o pensamento. O prazo a terminar e o trabalho parece que não se quer desenvolver. Felizmente já entreguei, mas não sem passar pela a situação de ir buscar a mesma à reprografia e descobrir que o funcionário escreveu o título com erro, por duas vezes!

Sinceramente foi uma semana complicada. Da casa à escola; regresso a casa para ir buscar uma declaração para entregar junto com a tese; ida à universidade onde se decobre que à quarta-feira de tarde a Secretaria não funciona; regresso à escola para chegar a tempo de uma reunião de Directores de Turma; no final de semana novamente à universidade para entregar a tese e regressar novamente à escola para dar as aulas da tarde. Horas de viagem, quilómetros percorridos...

No meio disto tudo testes para fazer, outros para corrigir; reunião de Directores de Turma que começou às 18h30 e só terminou pelas 22h, onde muito se falou, muito se discutiu, pouco se esclareceu, tudo na mesma. HELP!!!

Esta semana é mais pequena, eu sei, mas o trabalho a acumular não me permite o luxo de relaxar. As próximas semanas estão repletas de reuniões de Conselhos de Turma...

Este olhar anda um pouco cinzento, anda cansado, mas não se queixa. Não é essa a ideia. É mais um desabafo de alguém que por vezes se sente um pouco desorientado...

domingo, 21 de outubro de 2007

O que os alunos nos dizem...

"Faça como os outros!"

A minha única turma de 7º ano é o que basta para me dar dor de cabeça.
28 alunos, muito barulhentos, muito faladores e com poucas ou nenhumas regras de sala de aula (apesar de já estarem no 7º ano!!!!).
No outro dia, depois de 4 tentativas para falar "por cima" do que eles conversavam resolvi optar pela técnica silenciosa - se eu me calar, eles param para ver o que está o professor a fazer!
Até que um aluno que está ao meu lado me dá esta dica:
"Berre professora, para eles se calarem. Os outros professores também berram!"

Pois, começar a berrar a uma 2ª feira, já dá para imaginar como estarei na 6ª. Além disso, o meu instrumento de trabalho tem de "durar" até aos 65 anos e da maneira que as coisas andam, ainda irei dar aulas muda!!!!


"Este período não, mas no próximo eu trabalho!"

Aula de Matemática Aplicada do meu CEF. Andamos há 2 semanas a fazer exercícios sobre o cálculo de áreas (elementar, penso eu). A princípio muitas dificuldades, mas aos poucos "faz-se luz" e o pessoal já nem precisa de grande apoio para resolver - apenas pergunta pelo resultado.
Bom, existe a excepção de um aluno...
"Ó professora eu disto não percebo nada, nem vale a pena. É muito difícil! Mas não se preocupe. Este período é nega na certa, mas vai ver que eu recupero para o próximo. No 2º período vou perceber tudo!"
O que vale é a intenção... Não interessa o que ainda falta para vir (7 aulas até final do 1º período). Esta já se arrumou! Ano Novo, matéria nova!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

A (falta de) Educação ?!

Queixámo-nos muitas vezes da educação que os nossos alunos têm nas aulas, ou melhor da falta dela. Apontamos os pais como os grandes educadores, e os que mais contribuem para esta lacuna. Também concordo, é com o exemplo que aprendemos, mas o exemplo não vem só dos pais. E se o exemplo não é bom, e não temos ninguém que nos oriente... Enfim, temos os alunos que temos!

Situação 1

Já aqui disse que este ano dou aulas a um CEF. É uma turma especial, convertida de PIEF para CEF, que tem aulas em instalações fora da escola. Embora o Director de Turma seja um professor da escola, eles têm uma senhora que, de certa forma, é responsável por eles. A verdade é que ainda não percebi muito bem a função dela (não sei se é uma espécie de assistente social), apenas sei que ela já "trabalhava com eles" quando funcionavam como PIEF e é ela que providencia todos os materiais escolares (lápis, caneta, máquina de calcular, etc).
Acontece que, na semana passada, estava eu a terminar a minha aulita de Matemática Aplicada (faltavam ainda 3 minutos para terminar) a dita senhora bate à porta, entra na sala e senta-se num dos lugares livres, com um jornal na mão. É lógico que o bando dispersou os pensamentos, distraíram-se com a dita e a aula terminou assim de um modo estranho. Confesso que fiquei sem reacção e ainda estou para perceber qual a ideia. Então entra-se pela sala e nem se pergunta se o pode fazer, se a aula já terminou?

Situação 2

Na mesma turma também dou a disciplina de Física e Química, exactamente no dia a seguir. Esta também aconteceu na semana passada e imaginem quem foi a personagem principal? Isso mesmo, a mesma senhora!
Sente-se um telemóvel a vibrar e o aluno pergunta se pode atender. NÃO, logicamente!
"Ó professora, mas é a dra. A.!"
Fiquei na dúvida, mas mesmo assim, deixei atender. O garoto pôs o telemóvel em alta voz e a senhora do outro lado diz o que tem a dizer. Mas então ela não sabia que estavam em aulas? Não sabe quais as regras da boa educação? Sinceramente...

domingo, 7 de outubro de 2007

Os professores e a outra secção!

O Dia do Professor foi na sexta-feira. Não passou indiferente. Parece que até ao Presidente da República também não, mas não sei pormenores do seu discurso.

As coisas não andam facéis, mas também não quero falar disso. Por norma sou optimista, acredito que as coisas podem mudar (embora não saiba quando, nem como). Não interessa. Estou nisto por amor, porque gosto da profissão, porque não me imagino a fazer outra coisa, porque foi o que sempre quis, desde que me lembro. Não tenho a certeza, mas acho que fui influenciada pela minha professora da escola primária. Pelo seu amor, pelo seu ensino, pela sua exigência. Devo-lhe muito, tem toda a minha gratidão pelos 4 anos de ensino!

Mas hoje, que decidi falar da profissão de professor, vou também dedicar este post à outra secção (autêntico 2 em 1). Já cá tinha falado dela, por cá já passaram comentários assinados deste modo. Por isso acho que devo um esclarecimento aos meus amigos visitantes, ao mesmo tempo que lhes dedico este post.

Então o que é isso da outra secção?

Acho que posso dizer que é uma pequena brincadeira.

Sou professora de Ciências Físico-Químicas, disciplina integrante da área disciplinar "Ciências Físicas e Naturais", juntamente com a disciplina de Ciências Naturais.

Por vezes os alunos não distinguem uma área da outra, pois os temas a abordar chegam a ser comuns no Ensino Básico. Nessas alturas, em que os alunos questionam determinado assunto da área de Ciências Naturais, são encaminhados por mim para fazer a mesma pergunta na outra secção (que em muitas escolas acaba mesmo por ser a sala ao lado) ...


Na nossa profissão conhecemos muita gente, uns com quem gostamos de trabalhar, outros que nem por isso. Mas uma escola é feita de relações humanas - alunos, pais, funcionários e colegas, e temos de saber lidar com todos. Quem está habituado a saltitar de escola em escola, já esqueceu o número de pessoas com quem se cruzou e de quem guarda boas memórias. Eu no meu caso, felizmente, tenho muitas boas recordações dos colegas que conheci da outra secção!

domingo, 30 de setembro de 2007

A saga de uma Directora de Turma

O ano ainda começou há 2 dias e já anda uma Directora de Turma a deitar as mãos à cabeça.

Na turma existem 2 alunos em situação de abandono escolar - um dentro da escolaridade obrigatória, outro fora! Dois casos diferentes que é para a malta não se queixar - ao menos experimenta de tudo!

Cartas enviadas em duplicado, aviso de recepção preenchidos em duplicado, reunião marcada (não em duplicado que uma pessoa fica sempre desconfiada se os pais irão comparecer ou não).

No dia marcado até apareceu uma mãe, a do garoto fora da escolaridade obrigatória. Não quer vir, já está a trabalhar. Por ele até faz o 9º ano à noite, mas ainda não tem 18 anos... Blá, Blá, Blá... Conclusão, a menos que anule a matrícula, para a semana fica chumbado por ultrapassar o limite de faltas permitido por lei.

O outro caso é hilariante. A mãe não apareceu e quando fui buscar o aviso de recepção da carta à secretaria não é que descubro que a pessoa que o assinou foi, nem mais nem menos, que a própria aluna que está a faltar às aulas? Das duas uma, ou a mãe sabe que a garota está a faltar ou escondeu a carta da mãe...

Mas a semana não fica por aqui. Nada como uma boa agitação para terminar. De forma resumida foi assim:

Um garoto da minha direcção de turma namorava com uma miúda de outra turma. Entretanto terminou o namoro com esta para se ir juntar a outra. A namorada rejeitada não gostou e toca de reunir as amigas (e amigos, acho eu) para dar uma sova no ex-namorado e na nova aquisição deste. Uma confusão autêntica com pais metidos ao barulho. A minha sorte é que nesse dia eu só tinha aulas na escola de tarde...

Ser Directora de Turma é ....

sábado, 22 de setembro de 2007

Encontro Imediato de 3º grau

Talvez tenha exagerado no título, talvez... mas era o que dizia o meu horóscopo para esta semana, no plano afectivo (LOL)!

Agora a sério. Esta semana tive realmente um encontro especial - conheci a minha turma de CEF! (talvez o plano afectivo do horóscopo não se referisse a este encontro, mas não haja dúvida que existe, ou deveria existir, afectividade numa relação aluno-professor).

As turmas de CEF são especiais. Quem já trabalhou com elas, ou apenas ouviu referências, sabe que é assim. Alunos com interesses divergentes dos escolares, muito desmotivados, em risco de abandono escolar, resumindo, turmas problemáticas.

A vantagem destas turmas é que esses mesmos alunos conseguem fazer o 9º ano em 2 ou mesmo num 1 ano, num currículo mais simples, com mais componentes práticas.

A desvantagem, bom, essa nem é preciso pensar muito. Numa turma estão presentes todos os alunos (ou quase todos, porque as turmas não podem ser muito grandes) que provocavam conflitos nas turmas regulares e que às vezes, e em algumas escolas é essa a sensação, são empurrados para este tipo de curso.

Andam no CEF por "obrigação" sem se aperceberem das regalias que estão a usufruir. O ensino é mais facilitado, os critérios de avaliação são adaptados à turma, não têm despesas com a escola e no final obtêm o 9º ano de escolaridade, sem grande esforço da sua parte, excepto o facto de terem de estar presentes na aula. Cada vez se ouve mais falar neste tipo de ensino, cada vez mais escolas tentam implementar cursos CEF. Às vezes penso se, da maneira que as coisas caminham, com o facilitismo a invadir as nossas escolas, as turmas regulares não darão lugar a turmas de CEF...

Esta minha turma foi convertida em CEF, depois de um ano a funcionar como PIEF, em instalações fora da escola.

O cenário que me pintaram era tão negro que, confesso, andei a semana toda preocupada, com um certo receio do que iria encontrar. Em comum todos apontavam a ausência de regras na sala de aula, linguagem inadequada, pouca ou nenhuma vontade de trabalhar, ausência de material (que eles não estão para se cansar a transportar os cadernos). Mas pelos vistos, alguns destes aspectos aconteciam com a conivência dos próprios professores. Ou seja, eu estava assustada! Agora acrescentem o facto de ir dar a esta turma 2 disciplinas, sendo uma delas Matemática Aplicada. Podem crer que me apliquei a semana toda para preparar estas benditas aulas...
O primeiro encontro foi às 8h30. Apareceram 13 alunos (2 já estão a faltar desde o início). A sala não é muito grande, mas também não estamos muito apertados. O problema é o cheiro... As cadeiras têm os estofos rasgados e um armário serve de depósito do material (os cadernos não saem da sala de aula) que lhes é fornecido pela coordenadora e a quem solicitam tudo o que lhes faz falta.

Quanto aos alunos, o cenário que imaginei foi bem diferente. Participaram nas tarefas propostas (e alguns pode mesmo dizer-se activamente), nunca se recusando a nenhuma. Nota-se que são alunos com muitas dificuldades, alguns são bem mais limitados que os meus alunos de 7º ano. Alguns colegas que já trabalharam com a turma no ano passado também reconheceram mudanças nas atitudes. Esperemos que estes se mantenham assim, em especial no cumprimento de regras, que era o seu grande defeito.

O primeiro impacto foi positivo, até me pareceram interessados!? Sinceramente, espero não me ter enganado nesta primeira impressão e não ter de aparecer por aqui com as mãos na cabeça...

Na aula de Matemática Aplicada tivemos uma presença especial a assistir. Uma centopeia, que resolveu andar a passear por toda a sala. Numa sala com aquelas condições, qual será o próximo visitante?

sábado, 15 de setembro de 2007

Uma semana em cheio! II

Se a anterior semana não foi fácil, que dizer desta?!

Para começar, dia e meio em acções de formação que, com pena minha, pouco me "formaram" e só me faziam estar a pensar no trabalho que me esperava em casa! (Sim, os professores fazem muito trabalho em casa, pois não têm tempo para o fazer na escola... mas, isso é outro assunto).

Depois foi a Reunião dos Directores de Turma, com a carga de trabalho e de stress do costume, com os directores de turma dos 7º anos "às aranhas" para preparar as reuniões do Conselho de Turma do dia seguinte. Afinal, quem consegue analisar, em condições, 5 Projectos Curriculares de Turma de um dia para o outro?

Confesso que no meu caso, sendo a turma conhecida, não me foi dificil preparar a reunião. Contudo, na 6ª feira, a minha turma já tinha sido alterada com a troca de um aluno repetente por outro...

Os Conselhos de Turma também correram bem. As turmas eram conhecidas, os colegas também, acaba por ser diferente. Uma das novidades é apenas uma turma de 7º ano, com 28 alunos (vamos lá ver como vai ser trabalhar com estes).

A outra novidade é a minha "abençoada" turma de CEF. Pensava eu que a reunião que iriamos ter serviria para eu conhecer um pouco esta turma, também conhecida pela antiga turma do PIEF (que este ano se converteu em CEF). Pois não podia estar mais enganada! Ninguém me "apresentou" a turma, apesar de ser a novata, não faço ideia de quantos alunos são, não sei quais serão os critérios de avaliação, nem sei mesmo qual o nível dos alunos. Tendo a meu cargo a disciplina de CFQ, tenho de planificar de acordo os conhecimentos dos alunos nesta área... Valeu-me a leitura da legislação sobre o funcionamento destes cursos, mas se não fosse eu a insistir nem me diziam/mostravam o local onde este curso irá funcionar (as instalações são fora da escola).

Na altura fiquei fula, estava mesmo nervosa, hoje os ânimos já arrefeceram e o facto de ir perguntado aqui e ali (correndo o risco de ser chamada de "melga") já permitiu ter uma ideia dos alunos que me esperam e até de alguns dos procedimentos a ter em conta. Sei que não vai ser fácil, pois são alunos muito desmotivados, mas vou tentar fazer o meu melhor!

O que mais chateia nisto tudo, é que dedicamo-nos a analisar problemas e estratégias das turmas que temos na escola (e que até já conhecemos), mas estas turmas de CEF ou PIEF, dadas as suas características tão especiais, são deixadas um pouco de lado, quando à partida seriam elas a necessitar de uma análise mais cuidada. Será que é isto o mais correcto?

Ah! Entretanto, já foi a recepção aos alunos de todos os anos e pude voltar a estar com os "meus meninos". Apesar de todas as dores de cabeça que nos dão, foi bom matar saudades, sendo o aspecto positivo de toda uma intensa semana de trabalho!!

A todos os que já estão ao serviço aproveito para desejar:

Um bom início de ano lectivo!!!

sábado, 8 de setembro de 2007

Uma semana em cheio!

Regressei ao trabalho nesta semana, mas parece-me que já foi há mais tempo, há muito tempo!

Mas vamos lá organizarmos as ideias, para terem uma ideia do que aconteceu.

2ª feira - reunião geral. Eu já tinha dito que iria ser estranho. Não me enganei. Estranho, diferente, mas gostei. A recepção é totalmente diferente, é mais calorosa. Afinal todos se conhecem e conhecem o nosso trabalho. Até o nosso estado de espírito é diferente, embora tenha esmorecido um pouco ao descobrir, afixado no placard, a agenda de trabalhos para as próximas semanas.

3ª feira - reunião de departamento. Com a nova "moda" dos titulares, lá elegemos o coordenador (uma boa escolha na minha opinião). Mas o que interessava mesmo era a distribuição do serviço. E esse deixou-me em estado de choque!!!!

A continuidade está patente, pois continuo com os meus 7ºs (agora oitavos) e como não pude continuar com o 8º, atribuíram-me uma turma de 7º, para além de continuar com a minha Direcção de Turma. A novidade no meu horário são os CEF´s (Cursos de Educação e Formação - info), onde para além de leccionar 45m de CFQ (a minha disciplina), tenho ainda a meu cargo a disciplina de Matemática Aplicada (90m)! Fui apanhada completamente de surpresa, a verdade é que ainda não me refiz do choque. Trata-se de uma turma complicada em termos de alunos, o que desde já não é algo fácil, mas sinceramente, Matemática? A mim? Eu gosto da disciplina, eu até queria ser professora de Matemática quando era mais nova, mas até que ponto estarei preparada para a leccionar? Quer-me parecer que ainda virei por aqui muitas vezes desabafar convosco...

4ª feira - exame de equivalência à frequência.

5ª e 6ª feira - Reuniões de departamento. Departamentos enormes, assuntos sérios e urgentes a tratar, conversas paralelas, falta de respeito pelos colegas e até pela coordenadora. Resultado? Reuniões a durar 3h30m e com assuntos que ficaram por tratar.

Às vezes fico chocada com os meus colegas. Nunca vos aconteceu? E dou comigo a pensar como podemos nós exigir dos nossos alunos aspectos como pontualidade, atenção e silêncio, quando somos nós os primeiros a chegar com mais de meia hora de atraso à reunião, quando falamos de tudo menos do assunto que está sobre a mesa, quando cochichamos como os companheiros em vez de falarmos na nossa vez e para todos. Enfm, reuniões frustantes...


Esta foi assim, a próxima, bem... Já se avizinham os Conselhos de Turma!

sábado, 1 de setembro de 2007

Regresso ao trabalho

Já lá diz o ditado "o que é bom sempre acaba", ou seja "AS FÉRIAS CHEGARAM AO FIM!"

Sim, as férias terminaram e agora é tempo de voltar ao trabalho, algo que sempre nos custa, depois de um tempo sem stress e sem preocupações.

É certo que se trata de um ano diferente - não houve concursos, não houve ansiedade. Foi como se estas férias de Verão correspondessem a uma pequena interrupção.

Estranho talvez seja a melhor palavra para definir a situação. Estranho porque será a primeira vez que volto à mesma escola, estranho porque eu própria já não me vou sentir uma "estranha" na recepção que fazem aos professores. Aliás, vou ter a oportunidade de trabalhar com os mesmos colegas, que ao longo do ano conheci (e aprendi a conhecer). Vai ser bom voltar a conviver com a "outra secção"!

Até pode parecer uma banalidade para muitos, mas a verdade é que este ano já não vou andar como "barata tonta" à procura dos serviços, das salas... Enfim, toda aquela ansiedade (e até desconfiança) que acompanha um professor no seu primeiro dia, numa nova escola.

Vai ser diferente, disso não há dúvida!

Agora é tempo de fazer as malas, preparar os materiais, arregaçar as mangas e começar a pensar no próximo ano. Os próximos dias são de trabalho, muito trabalho (ao contrário do que a maior parte das pessoas pensa)!

A todos desejo um bom início de ano! Que tudo vos corra bem!


Eu sei que ainda existem muitos colegas que aguardam uma colocação. Eu sei, eu própria conheço alguns. Apesar de em alguns grupos a situação não se apresentar muito risonha, resta a esperança e a em acreditar que alguma coisa há-de aparecer.

Hoje a sra. Ministra da Educação (Jornal da Tarde, RTP1) não foi muito simpática para com os milhares de professores que ficaram de fora. Infelizmente, é assim que os professores são tratados pelo Ministério que os rege, um Ministério que só se interessa pelos alunos... (sim, também se deve interessar por eles, mas será essa a sua única preocupação?)

Afinal, que seria dos alunos se não existissem professores?

Coragem a todos! Que a sorte vos sorria...

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Sobe, sobe, balão sobe...

Nesta altura do ano o país é rico em romarias. Cá no Norte nem se fala!

São festas muito bonitas, caracterizadas pelo convívio de todos, pelos vendedores ambulantes, pelos carros das farturas (que boas são), pelos carrosséis (para miúdos e graúdos) e claro, pelas imponentes e majestosas procissões.

Não há festa que se preze que não tenha também um vendedor de balões. Muito coloridos, com as formas e as cores dos ídolos do momento de toda a criançada (ao contrário do meu tempo de menininha que apenas tinha a forma habitual do balão).

Em todas as festas, se espreitarmos para os céus, conseguimos ver um ou outro balão que se desprendeu de uma mão mais distraída e que voa para muito longe…

E agora um segredo. Sabem o que me apetece fazer quando vejo um desses vendedores de balões?

Cortar os fios que o vendedor zelosamente segura e deixá-los subir no céu…

estes voaram daqui


São ideias, o que querem...

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

E um ano se passou...

Timidamente iniciei esta actividade de bloguista, mas rapidamente se tornou um vício.

De início como brincadeira. O meu afilhado tinha (e ainda tem) um blog - Ideias - já tinha visitado alguns e então resolvi experimentar.
E aos poucos este espaço foi crescendo, foi sendo visitado, retribuiu as visitas com agrado.

Hoje, e parece que ainda foi ontem, este cantinho completa 1 ano de vida com mais de 9 000 visitas.

Sim, o olhar azul está de parabéns!!!!

E a data não podia passar sem dizer a todos quantos ajudam a crescer, dia após dia, este espaço com os vossos comentários, com as vossas visitas:


OBRIGADA!!!!


sábado, 11 de agosto de 2007

Chuva de Estrelas

O céu deverá apresentar na noite de domingo para segunda-feira(de 12 para 13 de Agosto) a queda de dezenas de estrelas cadentes por hora, um fenómeno anual que ocorre quando restos do cometa Swift-Tuttle entram na atmosfera terrestre.


A chuva de meteoros das Perseidas - assim denominada por estes meteoros surgirem a Nordeste, junto à Constelação de Perseus - são um fenómeno regular, que acontece todos os anos por volta do dia 12 de Agosto.

Informação recolhida aqui.




Imagens do Swift-Tuttle de 1992 mostram chuva de estrelas Perseidas



As chuvas de estrelas são na realidade fragmentos pequenos de asteróides ou de cometas, que ao entrarem na atmosfera terrestre a uma velocidade que ronda os 100 000km/h, tornam-se incandescentes, criando um rasto de luz, visível durante alguns segundos, criando a ilusão de estrelas a cair.


A tradição popular diz que se pode pedir um desejo sempre que se vê uma estrela cadente. Ora sendo uma chuva...




Podem saber mais sobre este fenómeno aqui ou aqui!

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Verão Azul

Finalmente de férias!!!!!

Umas merecidas e desejadas férias!

Férias azuis, como este blog, como o mar que tenho privilégio de ter junto a mim...

E como desejo de boas férias deixo-vos este vídeo, de uma série da televisão espanhola. Recordam-se?


Boas Férias!!!

PS: Só por curiosidade, eu não gosto de praia, não faço praia há anos! Mas quem me tira o mar, a sua imensidão, o seu odor... enfim, tira-me tudo. Haverá algo mais belo que um mar que se estende sobre a areia?

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Certezas...



Felizmente este ano não vou andar assim, com a casa às costas!

Confirma-se a minha colocação na mesma escola, por isso, e pela primeira vez na vida, não vou ter de pensar em concursos e vou ficar pelo segundo ano na mesma escola. Será um novo desafio que me espera em Setembro...

Contudo, eu sei que existem muitos colegas a concorrer, alguns com o coração bem apertado. A todos desejo boa sorte!

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Dúvidas e incertezas

Um professor, que não seja efectivo, obviamente, tem sempre a sua vida em sobressalto. Um ano aqui, outro ali, um mês no Norte, outro no Sul. Parecemos ciganos! Isto pode durar alguns anos, após a conclusão do curso, ou pode prolongar-se quase por uma vida inteira. Neste caso depende sempre do curso, ou seja da disciplina que se lecciona (e que pode estar muito cheia em termos de professores) ou pode ainda dever-se a escolhas que o próprio faça, e que na maior parte dos casos se relaciona com a estabilidade familiar.

Passada a fase do "Contratado", e com sorte, entra-se na fase do QZP (quadro de zona pedagógica). A dita zona corresponde a uma área que pode abranger um distrito inteiro, ou parte dele (dependendo, claro, da sua dimensão). Aqui já se consegue acalmar o coração, aliviar o stress. Sabemos que podemos saltitar de escola em escola, mas pelo menos estamos limitados a uma área. Esta é a minha situação. Sou QZP!

No início deste ano (entenda-se ano lectivo) e com as alterações ao concurso de docentes, os professores ficaram com a ideia de que as colocações seriam por 3 anos lectivos (desde que a escola tivesse horário), com algumas excepções no que dizia respeito aos contratados, onde as regras seriam um pouco diferentes.

Assim pensava eu!
Fiquei colocada na minha 4ª opção, num horário de 18 horas (que no caso de QZP tem de ser sempre completado, nem que seja com horas de substituição, que foi o meu caso).

Trabalhei o melhor que pude, esforçei-me o melhor que soube, cumpri com os meus objectivos! Cada escola tem o seu método de trabalho. A minha não é excepção. Tem coisas boas, tem coisas menos boas. Não me posso queixar muito, afinal, não estou tão longe de casa como muitos, que infelizmente, se encontram em situações bem diferentes (e complicadas também).

Agora ao terminar o ano lectivo, pensei no meu futuro. Se a colocação fosse realmente por 3 anos seria a primeira vez que tal me aconteceria - ficar na mesma escola, provavelmente dar continuidade às minhas turmas.

Questionei o Conselho Executivo e foi aí que as dúvidas surgiram.
Não me dão certezas de ficar, não me sabem sequer dizer se sou ou não obrigada a concorrer. Estão à espera de informações, pois segundo eles, tendo entrado com horário incompleto, não sabem como se irá processar esta situação.

Pelas informações que o Ministério vai debitando, eu não entendo assim. Mas as leituras deste tipo de informações são sempre tão duvidosas, permitem sempre várias interpretações...
Por isso, o meu futuro apresenta-se assim:



...pelo menos até dia 6 de Agosto...

PS: Ontem quando escrei este post ainda não sabia das alterações do Ministério. Afinal os concursos começam a 1 de Agosto. Será isto um bom ou um mau presságio...

terça-feira, 24 de julho de 2007

Choque Tecnológico

No Jornal de Notícias de ontem lia-se o seguinte:

"E se o seu filho passasse a enviar os trabalhos escolares por email aos professores em vez de os imprimir, tirar fotocópias e ir à escola? E se os docentes passassem a trocar documentação entre si e para a secretaria por mail em vez de preencherem inúmeras requisições? Pois será esse o caminho que o Governo inicia hoje, em Lisboa modernizar as infra-estruturas das escolas para que docentes, alunos e funcionários aprendam a beneficiar do que a Internet e as tecnologias lhes podem oferecer - comunicações mais rápidas e sem barreiras espaciais entre toda a comunidade escolar. "

Pode ler o resto da notícia aqui!

Eu acho muito bem que se equipem as escolas, que haja computadores para os alunos, que cada sala de aula tenha um computador e um projector. Muito bem, é de louvar o avanço tecnológico na Educação. Mas não estaremos a "pôr o carro à frente dos bois"?

Ora vamos lá ver:
-quantos alunos nossos têm computador em casa?
-e quantos desses têm acesso à internet?
-quantos pais terão conhecimentos suficientes para enviar mail´s?

E agora o nosso lado:
-terão os professores acesso a computadores e internet que lhes permita o acesso ao mail?
-quem imprime os ditos trabalhos enviados por mail?
-serão reduzidas horas de ensino para se ter tempo para consultar mail´s e demais documentação? Ou serão em horário pós-laboral?
-irão criar gabinetes de trabalho na escola? Ou estarão os professores sujeitos a esperar na "bicha" para conseguir um lugar no computador?

Estas são apenas algumas das questões que me ocorrem, de momento.
Mas existe ainda uma que não me sai da ideia. Os alunos terão de ir à escola? Ou o ensino é feito através de mail? Afinal, qual o papel dos professores?


Este ano lectivo ainda não terminou e o próximo já se prevê eléctrico...

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Oficialmente ainda não...

Férias, oficialmente ainda não. Contudo, acho que posso respirar de alívio.
O grosso do trabalho já acabou, finalmente.
Este final de ano foi um pouco sufocante, não tenho memória de outro assim. Foram dias e noites rodeada de papeis por todo o lado, aflita para conseguir ter tudo pronto a tempo, foram as avaliações e o stress associado, foram os relatórios de retenção e os outros, foram as matrículas, foram as reuniões de departamento infindáveis, foi a base de dados, foi uma série de burocracias...
Uma pressão enorme para conseguir ter tudo pronto dentro do prazo, aflita para terminar o Projecto Curricular de Turma, vulgo PCT, para o entregar dentro do prazo estipulado no placard da sala de professores, organizar os anexos do PCT (que vai-se a ver são mais volumosos que o próprio PCT em si). E depois olha-se para o lado e vê-se o DT X ou o DT Y que ainda não entregraram; o DT Z que ainda nem sequer sabe como se inserem os dados dos planos, enquanto outros desesperaram para fazer tudo, a tempo...

O ano terminou!!!!
Mais um ano que se passou, rapidamente.
Ainda há pouco entrava na escola, pela primeira vez. Timidamente, olhando com reservas, sendo olhada de canto. Aos poucos vamo-nos conhecendo, e até acabamos por criar relações especiais com os colegas, amizades que nos marcam, que nos ajudam a encarar as dificuldades que este ano nos apareceram pela frente, momentos de convívio que nos ficam na memória, horas de boas gargalhadas...
Este ano não foi fácil. Felizmente não tive problemas com as minhas turmas, mas foi preciso trabalhar muito. Foram muitos alunos com NEE (necessidades educativas especiais). Só numa turma apanhei Currículo Alternativo, Currículo Escolar Próprio, Adaptações Curriculares (ao abrigo do 319/91 ou simplemente ao nível do PCT). Foi um autêntico estágio nesta área, mas sinto que ainda tenho muito para aprender.

Fui DT pela primeira vez. O balanço pode considerar-se positivo, apesar de todas as situações que estiveram relacionadas (algumas já aqui contadas). Mas senti muita falta de apoio, senti-me desamparada. Ninguém parou para perguntar se já o tinha sido, ninguém perguntou se precisava de ajuda. E como precisei!!!! Valeram-me alguns colegas, valeu-me a minha experiência como secretária em anos anteriores, valeu-me a iniciativa de perguntar (ou mesmo chatear) até perceber. Já lá diz o ditado "Quem tem boca chega a Roma"!
Fiz o que pude, o melhor que sei. Aprendi muito e sei que numa próxima vez irei fazer algumas coisas de modo diferente. Afinal, estamos sempre a aprender, com os outros, connosco mesmos, com os nossos erros.

Oficialmente ainda não, mas depois do sufoco passado já me sinto de férias.
Vou aproveitar para desacansar, para organizar o monte de papéis que se acumularam nos últimos meses. Ainda há algum trabalho a fazer!
O tempo convida a saídas, e o cheirinho do mar entra-me pela janela...

domingo, 8 de julho de 2007

Este é-te dedicado!

Tenho um amigo que me acompanha, para todo o lado, percorrendo os mesmos caminhos que me conduzem, dia-a-dia, até à minha escola.

É um amigo que me ouve quando canto ao som da música que passa na rádio (ou melhor desafino) , com quem converso ou discuto, com quem desabafo...

Já percorremos muitos quilómetros juntos (quase 40.000), muitas horas de viagem (em especial do Minho ao Alentejo, e vice-versa), já visitamos e descobrimos muitas paisagens.

Esteve sempre à altura de todos os desafios e hoje dedico-lhe este post! Sim, a ti meu bolinhas...

Não se admirem, mas a verdade é que gosto muito do meu "bolinhas" e faz exactamente 2 anos que nos conhecemos!

E já agora aqui fica um comentário, menos alegre.

Há quem considere um carro como um luxo. Eu não entendo assim. Na minha profissão, que me faz estar um ano no Alentejo (quando eu sou do Minho) e no outro saltar para o Tâmega, o carro é o meu meio de transporte, é uma necessidade. Podem dizer que sempre tenho os transportes públicos como alternativa, mas por vezes esquecem-se que muitas das nossas localidades têm a rede rodoviária um pouco deficitária, pode até acontecer que o horário do autocarro simplesmente não seja coincidente com o da escola. Existem localidades, com escolas básicas, onde o padeiro apenas passa 3 vezes por semana. Como será o autocarro?

Eu sei que existem colegas que fazem imensos sacrifícios ao longo do ano, que apanham mais do que um transporte público por dia ou sobrevivem através de boleias. Eu conheço colegas assim e dou-lhes o meu louvor por conseguirem resistir.

O que eu quero dizer é que o meu carro não é um luxo e por isso fiquei magoada quando há dias o encontrei todo vandalizado. Alguém o tinha riscado, do lado do condutor, ao longo de todo o comprimento, como se estivesse a contornar as portas. Aconteceu de dia, na rua onde eu moro. Ninguém viu. Não foi o único, também fizeram a um vizinho.

E eu pergunto, porquê? Qual a ideia, qual a intenção? Porquê a maldade...

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Mudei de profissão!!!!

Não estranhem o título deste post.
Pode não ser totalmente verdade, mas não anda muito longe do que aconteceu. Esta semana fui funcionária de secretaria, uma autêntica administrativa!

Para começar foram as matrículas, na 3ª feira.
Foi preciso entregar as avaliações aos pais, renovar as matrículas e ainda solicitar o transporte. Numa turma de 28 alunos podem fazer uma ideia da quantidade de papelada, com os pais a aparecerem quase em simultâneo...

É certo que pude contar com o apoio da minha secretária e da colega de Língua Portuguesa, mas mesmo assim foi um pouco confuso. O dito papel de matrículas, embora estivesse preenchido na maior parte dos itens, não o estava devidamente. Conclusão, foi preenchido na totalidade, novamente.

Quanto às avaliações, não houve muito a dizer. Nenhum se mostrou surpreendido, o que prova que pelo menos este período tiveram a sensatez de passar pelo local onde as pautas foram afixadas. A sério que não compreendo a falta de interesse que alguns Encarregados de Educação demonstram. Nos outros períodos, quando fiz a reunião de entrega de avaliações (quase 3 semanas depois das pautas terem sido afixadas) alguns pais mostraram-se surpreendidos com as notas dos seus filhos. Como é possível?! Não tiveram curiosidade?

Mas a semana não ficou por aqui. Lembram-se da dita base de dados da DREN?

Neste caso foi uma tarde inteira diante do computador. Era preciso introduzir, por aluno, o tipo de plano, as disciplinas abrangidas, a avaliação inicial e a avaliação final, por disciplina.

Além disso, em cada disciplina teríamos de indicar a(s) competência(s) a desenvolver e para cada uma delas a(s) modalidade(s) de apoio.
Não foi dificíl, apanhando-se o jeito até se consegue despachar. O problema é que a base de dados bloqueia se estiver muita gente a trabalhar nela e confesso que a reunião de preparação que os Directores de Turma tiveram não ajudou muito. Pessoalmente não gosto muito das coisas na teoria, nada como um computador à nossa frente para ajudar. Claro que o facto de na sala estarem presentes outros colegas, que já estavam a terminar a sua inserção de dados, também ajudou.

Toda a gente sabe que é no "desgraçado" do Director de Turma que cai o trabalho todo. Esta inserção de dados não é excepção a um trabalho exaustivo que se vai desenvolvendo ao longo do ano. No meu ponto de vista, este trabalho não deveria ter sido executado pelo DT mas sim pelos professores que implementaram o plano.

Se não reparem, como posso eu saber quais as competências que a colega de Inglês desenvolveu na sua aula? Qual o apoio que prestou ao aluno? Eu não sei, não faço a mínima ideia. Agora multipliquem esta dúvida por 11 disciplinas, e estas por 11 onze alunos, que era o total dos meus planos.
Não sei qual o objectivo desta base de dados, não sei qual a sua finalidade. Apenas sei que ela não é, não o pode ser, fiável, uma vez que não foi o próprio professor da disciplina que preencheu os dados. Pensem melhor nisso...

Como podem imaginar, esta semana fingi ser uma funcionária de secretaria, com uma pequena diferença. Não entrei às 9h e não saí às 17h (muito pelo contrário, eram quase 20h!). Será que alguém me paga horas extraordinárias? Não me parece...

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Prémio e Desafios!!!

Duplo prémio, atribuído pela Stôra e pela Bell a este cantinho!

"O Prémio "Blogue com grelos" premeia mulheres que, na sua escrita, para além de mostrarem uma preocupação pelo mundo à sua volta, ainda conseguem dar um pouco de si, dos seus sentires e com isso tornar mais leve a vida dos outros. Mulheres, mães, profissionais que espalham a palavra de uma forma emotiva e cativante. Que nos falam da guerra mas também do amor. A escrita no feminino, em toda a net lusófona tem que ser distinguida."

Obrigada pela distinção. Não sei se a mereço, mas mesmo assim Obrigada!


É a minha vez de premiar, e como devem imaginar não é nada fácil distinguir personalidades, pois cada uma vale por si. No entanto, para não fugir à regra, aqui ficam as minhas eleitas (correndo o eventual risco de já o terem sido):






_____________________________________________________

Mais um duplo desafio, proposto pelas anteriores bloguistas, Stôra e Bell!
Será que combinaram...?
E ainda pela Patrícia.

Desta vez cabe-me falar dos últimos 5 livros lidos.

Ler é dos meus passatempos preferidos, mas a falta de tempo por vezes impede-me de o realizar. Assim, a lista de livros lidos é menor do que a lista dos que pretendo ler. Além disso tenho uma mania no que respeita aos livros - quando recebo um livro devoro-o! Sim, não descanso enquanto não chegar à última página (então se são do género de suspense...). Passado algum tempo volto a pegar nesse livro e leio-o novamente. Desta vez mais calma, absorvendo cada página, cada emoção, descobrindo mil e um detalhes que anteriormente não tinha reparado. São manias, que se há-de fazer?

E assim, sem perder mais demoras, estes são os meus últimos 5 livros lidos:


Fortaleza Digital, Dan Brown - desde que descobri este autor devoro os livros dele. São realmente viciantes, não descansamos enquanto não chegamos à última página!

Cem anos de solidão, Gabriel García Márquez - história impressionante de uma família um tanto ou quanto estranha.

O Código Stravinci, Toby Clements - uma paródia ao original Código Da Vinci, muito divertido!

As intermitências da morte, José Saramago - muitos não gostam, mas para mim é um dos autores preferidos, em especial pelo "Ensaio sobre a cegueira".

Escuta a minha voz, Susanna Tamaro - um livro que está um pouco em stand-by, à espera que eu continue a sua leitura.

E agora passo a leitura aos seguintes blogs:





domingo, 1 de julho de 2007

Semana do dizer bem!

Pela mão da Paideia surgiu a proposta de se dizer bem, durante esta semana (25 de Junho a 1 de Julho), de um aluno, de um colega, de uma iniciativa, enfim, dizer bem da educação. Achei de facto uma boa ideia e só por falta de tempo é que ainda não consegui postar o meu post (deixei mesmo para o último dia da campanha (tipicamente portuguesa!), mas penso que ainda vai a tempo!).

Esta onda de blogs de professores está a crescer, tem sido noticiado nos jornais, mas parece-me a mim que nos apontam o dedo, pois entendem os posts como queixas de uma classe, ou seja, não fazemos mais nada senão queixarmo-nos. Mas sabem, eu não me queixo, embora possa parecer a quem por aqui passa. Eu desabafo, eu mostro aquilo que sinto, aquilo que se passa no meu dia-a-dia. São situações reais, algumas boas, outras menos boas, mas que mostram como é o diário desta professora de olho azul.

Depois do esclarecimento, vamos então ao post concreto. Decidi falar de uma área não disciplinar – Área de Projecto. Pessoalmente não acho muita piada a esta área, e considero que tal como no 2º ciclo, também no 3º ciclo esta deveria ser leccionada por dois professores. Gerir projectos de vários grupos de trabalho, com solicitações constantes, em que, de acordo com o trabalho a ser desenvolvido, existem grupos que necessitam de pesquisar na net e outros não. Como posso eu dividir-me? Deixar metade da turma na sala sozinha e eu estar com a outra metade na sala de informática? Nem pensar!!! Mas enfim, não posso estar a criticar que este post é para dizer bem…

O início do ano na turma em que leccionei Área de Projecto (não é bem leccionar, mas a verdade é que não sei qual o melhor termo) foi um pouco complicado. A turma era muito grande, com alunos muito perturbadores, e com enormes dificuldades em perceber qual a ideia principal de Área de Projecto.

No meu ponto de vista, é necessário seleccionar um tema geral, sobre o qual a turma se irá debruçar e depois, de acordo com os grupos formados, seleccionarem vários sub-temas, terminando num produto final.

Pois, formar os grupos não foi fácil, escolher os temas ainda pior. Cada grupo apresentava uma proposta completamente diferente do grupo vizinho. Depois de muitas discussões, sem chegarmos a lado nenhum fiz uma proposta de trabalho – “Um dia de actividades com o Pré-Escolar”.

A ideia era simples. Cada grupo seleccionava um conjunto de jogos, adequados à idade destas crianças, preparava os materiais, e depois iríamos jogar com as crianças de um dos jardins-de-infância do agrupamento de escolas. A princípio ficaram um pouco renitentes, mas aceitaram a proposta e gradualmente foram ficando entusiasmados e bastante ansiosos por concretizarem o projecto.

Escolher o jardim-de-infância não foi difícil – o mais perto da nossa escola, para não implicar transporte e por coincidência aquele que a maior parte da turma tinha frequentado. No dia combinado lá fomos (com o apoio do pai do JP que se disponibilizou para levar e trazer de volta os materiais).

O feed-back daquelas crianças de 3,4 e 5 anos foi fantástico. Muito entusiasmo, muita alegria, muita brincadeira – pescaria, jogo dos sacos, peddy-paper, gincana, jogo das cadeiras – estes foram alguns. Quem ficou com pena foram os alunos do 1º Ciclo, para os quais não estavam destinadas as actividades, mas que puderam participar num jogo de futebol com os meus alunos.

A educadora de infância adorou e pediu para repetir mais vezes. De facto, as escolas estão agrupadas, mas falta esta ligação, este contacto entre os diferentes níveis, entre as diferentes escolas, promovendo assim a interdisciplinaridade. Se puder volto a repetir a experiência!

sábado, 30 de junho de 2007

De volta, mas ainda não recuperada!

Quem é professor, quem os tem na família ou convive com eles de perto, percebe que as duas últimas semanas de um período, e em especial se esse é o último, são deveras complicadas. Como diz uma das minhas colegas da secção ao lado (um dia explico o que isto quer dizer) é uma questão de sobrevivência!

Os testes acumulam-se em cima da secretária, fazemos noitadas para os conseguirmos corrigir e entregar.
São as notas/avaliações para pensar, ponderar, reflectir, pesar, enfim, propor as classificações que em alguns casos irão decidir o futuro dos nossos alunos. É preciso apresentá-las com 48 horas de antecedência para serem lançadas.
São ainda os relatórios de Área de Projecto, Estudo Acompanhado, Formação Cívica e aulas de apoio em geral.

Do outro lado está ainda o trabalho do Director de Turma! É preciso verificar as notas, tentar "adivinhar" quem estará em situação de retenção, ou em situação de dupla retenção (ou tripla) para chamar o Encarregado de Educação para dar o seu parecer. Cartas, avisos de recepção, registos, tudo feito em triplicado a multiplicar por 10 alunos!

É preciso abrir os registos de avaliação do 3º período, para cada aluno. Contabilizar as aulas dadas pelos colegas que ainda por cima se enganam a numerar as lições (e que temos de corrigir), contabilizar as aulas assistidas de acordo com as faltas, aceitar justificações de faltas quando os extractos já estão imprimidos, registar tudo isto nos registos de avaliação, por aluno, atempadamente, para os podermos entregar aos colegas que leccionam as respectivas áreas curriculares, para estes poderem preencher as “cruzes” antes da reunião (o que nem sempre acontece).

É preciso registar nos registos biográficos as faltas dos alunos ao longo do ano, verificar os contactos estabelecidos com os Encarregados de Educação para ir preparando os relatórios de retenção que têm de ser apresentados em Conselho Pedagógico. É preciso fotocopiar todo esse material para ir elaborando o dito relatório.

O Director de Turma tenta adiantar o máximo de trabalho possível para a reunião não demorar demasiado. É um erro, pois o que se verifica é que a maior parte do Conselho de Turma não está atento e lá temos de nos impor, fazer cara de mau, acabar com as conversas paralelas, dar um murro na mesa!
São propostas aquilo que ali apresentamos. É certo que cada um de nós pensou seriamente no trabalho desenvolvido pelo aluno e não acredito que a nota que cada professor apresentou seja proposta de ânimo leve. Eu acredito que é devidamente ponderada, mas isso não lhes dá o direito de se desligarem das suas obrigações. Os colegas disseram-me que a reunião correu bem (apesar de a minha direcção de turma ter sido a minha primeira reunião da semana)– cumpri o horário, as propostas de retenção/progressão foram bem justificadas, a ordem de trabalhos foi devidamente cumprida mas no fim senti uma agonia. Não me perguntem porquê, mas fiquei triste, desiludida, comigo, com os outros, com a falta de respeito…

O que ainda me revolta mais é a informação que vai saindo a conta-gotas – “neste Conselho de Turma preencheu-se este documento”; “no outro não se fez nada disso” – confusão, total confusão! Uns pedem umas coisas, outros dizem que não é necessário, uns fazem de um modo, outros de outro.
E eu? Que faz uma Directora de Turma que o é pela primeira vez? Ouve daqui e dali, tenta ver o que realmente é importante, confronta legislação, sente-se perdida, desorientada, mergulhada num mar de burocracia, pergunta a um colega, confronta outro – socorro! Onde está a uniformização de critérios? Porque partir do princípio que toda a gente sabe de tudo, sabe dos usos e costumes da escola? Bolas, eu sou nova por aqui! Além disso, mesmo quem está numa escola há muito tempo, acaba por se esquecer de certos detalhes de um ano para o outro.

No dia seguinte lá compareceram os pais. Uns concordaram, outros não, um não apareceu. Tudo foi anexado ao relatório – as avaliações, o parecer, o relatório analítico do Conselho de Turma, os planos de que o aluno foi alvo. A fase seguinte é com o Conselho Pedagógico. Depois logo se verá. Na 3ª feira são as matrículas…

A terminar a semana, a notícia de que o trabalho não fica por aqui. A DREN quer uma base de dados sobre os planos de recuperação, acompanhamento e desenvolvimento. Novamente é o Director de Turma que tem a tarefa de a preencher – por aluno, por disciplina, por competência a ser desenvolvida. Adivinha-se uma semana de luta renhida por um lugar no computador!

Quem me vê de volta ao ninho pergunta – “Já de férias?”. Quem dera! Não estão longe é certo, mas ainda falta muito a fazer: concluir o ano, preparar o próximo.

Não pensem por isso que os professores são aquela classe priveligiada que já está de férias. Quem passar pela frente de uma escola, durante o próximo mês não se admire de ver o parque de estacionamento completo. Afinal, ser professor não é só dar aulas!

domingo, 24 de junho de 2007

Em pausa, mas breve!

Agora que as aulas terminaram, as reuniões estão mesmo aí!

Já não é novidade para ninguém que a burocracia tem entupido os Conselhos de Turma.

Ora vejamos (e a ver se não falta nada):

- avaliação dos planos de recuperação;
- formulação dos planos de acompanhamento;
- relatórios de retenção ou progressão, para o caso dos bi-repetentes;
- avaliação das áreas curriculares não disciplinares;
- conclusão do Projecto Curricular de Turma;

Ah, sim, e "cantar" os níveis!

Por isso, meus amigos, desculpem-me se nos próximos tempos não vos visitar.

É que vou estar ocupada a:





Mas assim que este stress terminar eu irei visitar-vos a todos e responder aos desafios!

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Em avaliação!

Estou em avaliação!
Bom, não sou eu, ainda não! Os concursos de titulares já se realizaram e não falta muito para o ser...

Também não é este blog, que ainda há pouco começou.

A avaliação diz respeito à escola, aos alunos, diz respeito ao final do ano lectivo que está mesmo à porta.

Esta última semana na escola não se prevê nada fácil - auto-avaliações; laboratório aberto à comunidade, actividades recreativo-culturais, reuniões de avaliação para preparar, em especial a minha!

Talvez tenha sido impressão minha, mas quer-me parecer que este período nem existiu. Foi um ar que se lhe deu e ups, já terminou.

Pode ter sido pequeno em tamanho, mas rico, para não dizer ríquissimo em actividades (ou melhor, dias sem aulas):

- visita de estudo do 8º ano;
- visita de estudo do 7º ano;
- 3 feriados;
- 2 dias de provas de aferição;
- 2 dias de exames nacionais;
- Dia Mundial da Criança;
- 4 dias de actividades recreativo-culturais.

Penso que não me esqueci de nada!

É certo que algumas das actividades listadas ainda se irão realizar, mas por isso mesmo são aulas a menos. O que para nós professores nos deixa aflitos no que respeita ao cumprimento de programas, mas que para os alunos é indiferente - de qualquer maneira já só pensam nas férias... (também eu!)

É ainda época de avaliações, dor de cabeça para os professores que se vêem perseguidos pelos alunos, chorando pela positiva, fazendo-nos crer que só nós os podemos salvar de uma retenção quase certa (e depois vai-se a ver e os dedos da mão não chegam para contar as negativas).

Há ainda aqueles alunos que pensam que pelo facto de conseguirem obter um nota positiva em todo o ano lhes garante a sua aprovação, o merecido 3! Ora, como diz a MJ " porque não realizam apenas esse teste durante o ano? Se ele vale pelos outros todos, basta realizar um!".

Do outro lado ficam os alunos que vêem o mundo desabar à sua frente apenas porque obtiveram uma negativa neste último teste.

Existe ainda um grupo de alunos que nos faz roer por dentro. Aqueles que no 3º período simplesmente tiram férias antecipadas. Literalmente é isso que acontece - faltam aos testes, não realizam nenhuma actividade das solicitadas pelo professor, perturbam a aula. Enfim, simplesmente desligam e nós, por mais que nos custe, somos obrigados a aceitar este comportamento e a avaliá-los de forma positiva, quando na realidade o que nos apetecia era castigá-los!

Ao contrário do que os nossos alunos pensam, as notas não são "dadas" de ânimo leve. Não são "dadas" em função de caras bonitas e engraxadelas. São devidamente ponderadas, tendo em consideração os critérios de avaliação definidos no início do ano e apresentados publicamente.

No caldeirão, qual bruxa da Branca de Neve, estão parâmetros cognitivos, afectivos e psicomotores, onde se inclui todo o trabalho desenvolvido durante as aulas, assiduidade, pontualidade, participação, cumprimento das tarefas, enfim...

O resultado será a nota merecida, não a nota desejada!

Este é o prémio dos alunos, o troféu entregue áqueles que durante o ano se esforçaram, lutaram por um bom trabalho, apesar das suas dificuldades. Porque este é o seu trabalho!

sábado, 9 de junho de 2007

Festa do Carneirinho

Outro dia na escola, em conversa com um colega, falava-se da festa do carneirinho.
É uma festa única, que se realiza em Penafiel, na véspera do feriado do Corpo de Deus.

Trata-se de uma festividade na qual os alunos do 1º Ciclo do Ensino Básico ofereciam um carneirinho ao respectivo professor. Hoje a tradição ainda se mantém, é motivo de orgulho, sendo organizado neste dia um desfile pelas ruas da cidade, terminando com a entrega da oferta aos professores.

Para saberem um pouco mais passem por aqui!

Achei muito curiosa esta tradição, num país que é repleto delas. Mas o que me admirou ainda mais foi o objectivo desta festa. Nos tempos que correm, em que o professor está tão mal visto, ainda há locais que enaltecem a figura do professor, que o respeitam, que lhe oferecem prendas e não estaladas, pontapés e palavrões.

Poderíamos pensar que se trata de uma trégua no ataque à sua figura, mas não quero pensar assim. Quero acreditar que esta tradição se mantém, não por obrigação, mas por se considerar que o professor é uma figura de respeito, que se preocupa, que tenta dar o seu melhor na formação dos homens e mulheres de amanhã.
Passem por aqui e vejam a reportagem da festa deste ano.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Desafio ao quadrado!

Desafio 1

Novamente apanhada na rede dos desafios, desta vez ao quadrado! E assim, respondendo ao desafio da Stôra, cá estou revelando (mais) um pouco de mim, na primeira pessoa:

Eu quero: ser feliz, de verdade!
Eu tenho: alguns amigos verdadeiros.
Eu acho: que tenho tido alguma sorte na vida.
Eu odeio: falsidade e desprezo.
Eu sinto: que ser professora é mesmo a minha vocação.
Eu escuto: vezes sem conta a mesma música, quando gosto mesmo dela.
Eu cheiro: ao meu perfume preferido, Burberry.
Eu imploro: quase nunca. Não tenho feitio para isso.
Eu procuro: o amor verdadeiro, a amizade sincera.
Eu arrependo-me: de não dizer o que sinto, na hora certa.
Eu amo: a vida, a minha família e a minha profissão.
Eu sinto dor: quando alguém me magoa (e não é fisicamente).
Eu sinto falta: de um carinho, de acordar pela manhã e sentir o cheiro do mar…
Eu importo-me: com quem me é próximo.
Eu sempre: fico corada quando alguém me dá um elogio (e às vezes, em situações banais, também).
Eu não fico: zangada com ninguém (pelo menos durante muito tempo).
Eu acredito: no valor da amizade.
Eu danço: só se for em sonhos…
Eu canto: em especial no carro (coitado do meu carro, aquilo que ele ouve...)
Eu choro: quando me sinto triste, magoada ou com uma boa gargalhada!
Eu falho: às vezes. Ninguém é perfeito!
Eu luto: por aquilo que considero justo, pelos meus objectivos, pelos meus ideais.
Eu escrevo: as minhas opiniões, os meus sentimentos, os meus olhares aqui neste espaço.
Eu ganho: quando me dou a quem precisa.
Eu perco: quando me dou a quem me magoa.
Eu confundo-me: a mim própria? Acho que não.
Eu estou: sempre disponível para ouvir, para dar o meu conselho, o meu ombro.
Eu fico feliz: quando me surpreendem agradavelmente. Adoro uma boa surpresa!
Eu tenho esperança: que as coisas na minha profissão melhorem.
Eu preciso: de férias, urgentemente.
Eu deveria: arranjar mais tempo para pôr a minha leitura em dia.
Eu sou: bem disposta, organizada, amiga sincera, tímida...
Eu não gosto: de pessoas que me apunhalam pelas costas.

O desafio é agora lançado a estes amigos:







____________________________________________


Desafio 2

Eu avisei que o desafio era ao quadrado (a Stôra não perdoa...) Por isso, aqui vos deixo o meu meme*

Diz-me e eu esquecerei.

Ensina-me e eu lembrar-me-ei.

Envolve-me e eu aprenderei.

(Prov Chinês)


E os próximos a responderem a este desafio são:








(*) Um "meme" é um "gen ou gene cultural" que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou aos teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente é propagada pela Web, usualmente por meio de blogues. O neologismo "memes" foi criado por Richard Dawkins dada a sua semelhança fonética com o termo "genes".


PS. Desculpem-me os visados se por acaso já foram "provocados" para estes desafios, anteriormente. Aos que não foram o desafio está lançado...

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Dia Mundial da Criança

Um dia disseram-me que isto de haver dias especiais era um pouco caricato, uma vez que só havia dias dedicados às minorias - dia da mãe, dia do pai, dia da criança, dia da mulher... Não me lembro da pessoa que o disse, mas sei que não concordo inteiramente com a afirmação. Se existem pessoas especiais, pela função que representam, o nosso tributo deve ser-lhes dedicado através de um dia, também ele especial.

Este ano, pelo menos no nosso país, este dia ganhou um novo significado. Foram lembradas todas as crianças desaparecidas no nosso país. Nunca como agora se falou tanto neste assunto, por isso mesmo não vou dedicar este post a falar sobre o caso (que me perdoem os leitores, mas no meu ponto de vista, estamos numa fase de saturação devido, em grande parte, aos meios de comunicação social).

Mas ainda neste dia não podemos deixar no esquecimento as crianças que sofrem por causa de guerras, que são exploradas em termos de trabalho infantil, que passam fome, que sofrem...

Muitos dos que por aqui passam são professores, lidam diáriamente com crianças. É o nosso ofício. Todos temos histórias para contar, boas e más, que envolvem as nossas crianças. Deitamos as mãos à cabeça quando nos tiram do sério, quando conversam em vez de nos ouvir, quando brincam em vez de estudar, quando nos respondem em vez de acatar os nossos pedidos ou mesmo ordens. As crianças hoje em dia são diferentes. Já não há brincadeiras de rua (como eu tinha no meu tempo) porque o computador substitui os companheiros; já não há grupos de brincadeira porque os jogos são individuais, já não há discussão sem haver "troca de galhardetes" com pontapés, murros e palavrões obscenos. São as crianças de hoje.

Algumas apresentam este comportamento como forma de chamar a atenção, pela falta de atenção e de carinho que têm por parte da família; outras parecem ter a ruindade dentro de si, um mal que se não for tratado nestas idades pode agravar-se no futuro, podendo terminar em marginalidade; outras ainda não podem ser melhores por não terem o apoio, o modelo a quem se agarrarem. Neste grupo incluo o T., um menino da minha escola. Tem um olhar triste, anda sempre sujinho, tem dificuldades de aprendizagem. Contam que quando chegou à escola parecia um autêntico bicho do mato, até pela janela das salas saía. Hoje está um pouco melhor, mais meigo. Dizem que provém de uma família problemática. Pobreza! Mas hoje teve o seu dia, hoje a escola apresentou-se cheia de actividades dedicadas às crianças. Hoje divertiram-se, brincaram, hoje foram crianças! E os professores também!

As actividades de hoje incluíam a passagem pelo laboratório de Física e Química, onde realizavam uma pequena actividade experimental. Os pequenos ficavam deslumbrados pela sala (é um laboratório) e logo a primeira pergunta era se iriam fazer explodir aquilo tudo (ainda não percebi qual a razão que leva os alunos a pensarem que os cientistas destroem sempre os laboratórios). Os olhos daquelas crianças iluminavam-se quando, inexplicavelmente a água transparente ficava rosa carmim - "Oh, parece magia! Não pode ser! (**)

Somos crianças e ansiamos por ser adultos e quando o somos temos saudades do tempo em que brincávamos, em que não havia preocupações, canseiras e sentimos pena por não termos aproveitado da melhor maneira esse tempo. Por isso, a todos vós eu desejo:

Feliz Dia a todos os adultos que ainda têm uma criança dentro de si!

________________________________________
(**)
A actividade realizada relaciona-se com o uso de indicadores para identificação de ácidos e bases. Para quem não conhecer, aqui fica a dita!
1. Num copo coloca-se água e adiciona-se uma gota de fenolftaleína.
2. Transfere-se a água para outro copo.
3. Como por magia a água torna-se rosa carmim.
O segredo: No segundo copo tinha-se colocado uma gota de hidróxido de sódio (também conhecido por soda cáustica) que é uma substância alcalina. A fenolftaleína, que é um indicador, muda de cor na presença de substâncias alcalinas, passando de transparente para rosa-carmim.

domingo, 27 de maio de 2007

Falta de Educação! Onde nos irá levar?

Na sexta-feira, numa aula...

O aluno entra e bate com a porta.
Professora: L. é maneira de fechar a porta?
Aluno: Oh, já está fechada.
Professora: Abre e fecha novamente.
O aluno abre a porta e volta a bater com ela.
Professora: Fecha novamente a porta.
Aluno: Mas está a brincar comigo ou quê? Você nem sequer é minha mãe!
Professora: Pois não. Se fosse já tinhas levado um valente estalo!

Pouca coisa me consegue tirar do sério. Não sou de ferver por tudo e por nada, mas se existe alguma coisa capaz disso é a falta de educação, em especial a falta de educação dos alunos.

Não sei se é um vírus, se é mesmo um mal que lhes afecta os genes, mas a impressão que tenho é que a falta de educação nas escolas tem crescido nos últimos tempos.

A minha tia tem sempre presente na lembrança, as palavras de um seu professor de História, que dizia que a educação de uma pessoa se vê, na maneira como ela esfolheia as páginas de um livro. Ora, se tormarmos em conta este aspecto, facilmente tiramos as conclusões sobre os nossos alunos.

Hoje em dia um professor está na escola com a dupla e árdua (e por vezes desesperante) tarefa de ensinar e EDUCAR, quando esta deveria ser uma tarefa exclusiva dos pais. Na verdade, é como se lutassemos contra a corrente, de um lado os professores que tentam transmitir alguma educação, na maneira como se entra na sala ou se sai, se bate à porta, se puxa uma cadeira, se trata o lixo e se mantém uma sala de aula limpa. Exemplos tão banais, mas que vemos alunos de 15-16 anos a serem incapazes de os cumprir. Do outro lado estão os pais, demasiado permissivos, demasiado benevolentes para determinadas situações que, parecendo banais aos seus olhos, são importantes no que respeita à formação do Homem de amanhã.

A situação em que os pais vivem, actualmente, é uma das desculpas. Enquanto que há uns anos atrás apenas o pai trabalhava fora de casa e a mãe se remetia a tarefas domésticas, hoje o pai e a mãe trabalham fora. Assim, pouca atenção podem delegar aos filhos, por cansaço, por falta de paciência, por isto e por aquilo e, infelizmente, o resultado está à vista... Mas é importante que os pais tomem consciência que os seus filhos precisam de atenção, precisam de ser chamados à atenção, precisam de momentos de carinho, mas também de momentos em que é preciso ralhar!

Apesar de tudo isto, é nosso dever tentar incutir nos nossos alunos alguma educação, é nosso dever tentar colmatar estas lacunas que apresentam, mesmo que com isso nos arrisquemos a termos o pai no dia seguinte na escola, apenas porque falamos um pouco mais alto com o seu filho ou porque lhe chamamos à atenção de uma forma mais dura, e a criança pode ficar traumatizada! Os alunos podem ficar revoltados connosco, podem pensar e dizer o que quiserem de nós, mas eu acredito que um dia ainda se irão dar conta da importância da Educação!

sábado, 19 de maio de 2007

Preciso de falar contigo!

"Ó C., preciso de falar contigo! Os teus meninos..."

e logo começo a pensar nas asneiras que eles terão feito desta vez, imaginando algo de grave que a Direcção de Turma tenha aprontado.

"Os meus meninos... Bem, eles não são meus ( e logo eu que nem filhos tenho), mas que fizeram eles desta vez?"

Versão1 - "Oh, não fizeram nada. Não estudam, não querem saber, não fazem o trabalho de casa, etc."

Versão 2 - "Só conversam, parecem uma selva, são muito barulhentos, não sei que fazer com eles!"

Tem sido isto diariamente. De cada vez que abro a porta da sala de professores logo um rol de queixas me cai em cima, às vezes sem tempo sequer de pousar o livro de ponto no sítio, e dou comigo a pensar "Mas que raio tenho eu a ver com isto?". E então dou por mim e já terminou o intervalo!

Eu sou a Directora de Turma, não sou mãe (embora às vezes pareça) e desculpem-me, mas cada professor é responsável, dentro da sala de aula, por chamar a atenção dos seus alunos, para lhes mostrar a importância do estudo, para lhes "pregar sermões" quando as tarefas pedidas não são cumpridas. Não sou eu que tenho essa responsabilidade, penso eu, mas eles têm essa autoridade, não é assim?

Eu própria lido diáriamente com a falta de estudo, de empenho e de trabalho das minhas turmas e não passo o tempo a queixar-me aos Directores de Turma. Sim, falamos do assunto, apontamos um ou outro aluno, mas muitas vezes em tom de conversa, sem contudo me dirigir ao Director de Turma em jeito de ameaça, como quem aponta as falhas na função, como quem acusa que se a turma não estuda e tem mais de 50% de negativas a culpa é minha.

No fundo eu acredito que não farão por mal, até estarão, na sua boa vontade, a transmitir informações ao Director de Turma no caso de este as querer ou tiver de passar aos Encarregados de Educação. Mas a sensação que tenho tido nos últimos tempos é a de se quererem descartar das suas responsabilidades, impondo-as ao Director de Turma. Então, e a sua responsabilidade na sala de aula? É seu dever comunicar ao Encarregado de Educação toda e qualquer situação envolvendo o educando. Afinal, para que servem das cadernetas dos alunos?

Sim, sou Directora de Turma, é certo. Sou responsável por um grupo de alunos, responsabilidade essa que envolve o contacto entre os professores e os Encarregados de Educação, que envolve chamar a atenção dos Encarregados de Educação quando os alunos não aparecem na escola há 2 semanas, que me obriga a controlar as faltas, fazer telefonemas, enviar cartas. Mas no meio disto tudo, continuo com as minhas turmas, com as aulas para preparar, com testes para corrigir, com trabalho que me obriga a fazer horas extras não remuneradas, a telefonar do meu telemóvel porque o Encarregado de Educação só chega a casa por volta das 19h e a essa hora a escola já está fechada.

O pior surge quando, para além de chamar à atenção os "meus meninos", tenho de chamar à atenção os "professores dos meus meninos", por não usarem a sua autoridade com eles ou por a porem em causa quando ameaçam que anulam o teste e não o fazem (voltam com a palavra atrás-1), quando ameaçam fazer uma participação disciplinar, quando garantem que já a entregaram ao DT e afinal não passa de uma forma de "assustar" os alunos (voltam com a palavra atrás-2) . No final, quem fica mal até sou eu que, apesar de terem uma participação disciplinar, não dei andamento ao processo. Não passam de bluff´s que põem em causa a autoridade do professor e a minha, pelo menos indirectamente. E depois um dia vem o lobo mau a sério e já ninguém acredita no pastor (sabem a história?).


Se todos vêm desatinar comigo, com quem desatino eu?